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''A fórmula é bem simples: olhar e sorrir.  Nada de arco e flecha, metralhadora ou estilingue.  Não existe arma mais efici...

Fragmentos de Lingua P e de Mim.


''A fórmula é bem simples: olhar e sorrir. 

Nada de arco e flecha, metralhadora ou estilingue. 
Não existe arma mais eficiente para a sedução social. 
Não importa qual seja a intenção. 
É só olhar. 
E sorrir.''

''- Já passou da hora de você superar isso.
- Se ao menos você tivesse pedido desculpas.
- Eu pensei nisso, mas achei melhor não pedir. Achei que você me perdoaria.
- E por que você vem me pedir desculpas agora?
- Não vim pedir desculpas, vim te ganhar de novo.''


''Escrevi, dezesseis vezes, textos que representavam apenas uma variação sobre o mesmo tema. Em verso, prosa, canção e dissertação.
Apaguei tudo com a vontade e intensidade necessárias para também apagar tantos sentimentos do meu coração.''



"Das tuas vontades, meu sofrimento. Das minhas vontades, tua injúria. De nossos desacatos, nosso apagamento. E do meu singular, eu em testamento"

Ha distancias que permanecem insolentes na calada da noite, nas insonias sempre vindas. Nos cortejos não ouvidos e nas canções não recebidas.
ha distancias que feito vindas e partidas só servem para unir mais, tudo aquilo que a geografia insiste em meter bloco, pedra, e fins do caminho.
Mas, não é sobre quilômetros que distancia significa. Distancias são paralelas que permeiam tudo aquilo que ta junto sem querer. Distancia é aquilo que causa espera e atenção, que abre sorriso e irrita entre aprendizado e coração - daqueles com a mão -.
Seja no sul ou no distrito federal. Seja no bairro oposto ou na rua de tras; quando a distancia possui pontes internas, não quilometragem que impeça as duas pontas, o remetente e o de voar e se juntar.


Ele era dramático e adorava café fraco.
Ele -Outro amava coca mas fingia só tomar laranjas.
Ele era preguiça e procrastinação
Ele -Outro de gringueza à fitnesse e workholic
Ele espera de manhã ate a noite pela tela do celular piscar
Ele -Outro não se sabe, mas sempre estava la com o riso a responder.
Eles - ambos mesmo sem se ver, eram conhecedores do que viriam um dia à ele a ele conhecer.




* OS TEXTOS ENTRE ASPAS FORAM LIVREMENTE INSPIRADOS OU RETIRADOS NA INTEGRA DO BLOG >> http://alinguap.blogspot.com.br/

Certa vez escrevi sobre minha teoria de que artistas são antenas. São baterias. Artistas são seres humanos que vieram à Terra com o dom ou ...

Certa vez escrevi sobre minha teoria de que artistas são antenas. São baterias.
Artistas são seres humanos que vieram à Terra com o dom ou a maldição - ou para fins práticos, habilidade - de serem sensíveis as coisas inexplicáveis, impalpáveis e não formuladas da vida.
Aristas possuem uma espécie de antena que capta frequências soltas nesse plano que chamamos de existência, e quando tomam consciência disso, a transformam através de seu corpo, mãos, mentes, vozes, em algo, que seja palpável aos olhos, aos sentidos, aos ouvidos.
Somos fios que transportam esses mistérios da vida.
Quando o artista não consegue por pra fora, não consegue meio de expressar tudo isso que capta e que sente, ele sufoca. Como uma bateria que vai se enchendo de energia ruim e boa que seja, mas não consegue extrair. Vamos enchendo, enchendo, suportando, sentindo, guardando, ate um ponto que tudo aqui dentro implode.
A maioria dos artistas, por isso, precisam de escapes da realidade para não sucumbirem. O corpo humano comum,precisa de 6 a 8 horas de descanso. Para mente e físico. Artistas não possuem essa possibilidade. Por que o corpo é instrumento, que não deixa de ser usado nunca. Uns chama de fardo, outros de benção. Eu não chamo de nada. Eu apenas aceitei quem eu sou.
Esse escape vem de diferentes formas. Uns investem em amores, outros em prazeres carnais. A maioria no álcool. Nos entorpecentes. Tudo que os faça não sentir, não captar demais. Não racionalizar. Não transmutar isso tudo que transcende. Daí a maioria dos artistas sofrerem de doenças sem cura e de âmbito tão sensível à medicina e a vida, as emoções que se tornam os únicos 'doentes', cujo o único remédio são eles mesmos. (sempre precisando de ajuda quando isso os cabe claro). depressão. Ansiedade. Transtornos mil. Solidão. Antissociabilidade. Alcoolismo. Dependentes Químicos. Estressados. Estranhos.
Eu capto. Eu sensibilizo. Eu sou.
Minha forma de expressar tudo que esta aqui dentro e em volta sempre foi a escrita.
Escrever tudo que perpassa feito lâmina, sempre foi fácil e natural - o exercício, a ação. A formulação, a criação, e principalmente o saber lidar com o que sai da mente, do sensível para o real, pro papel, para a rede, sempre foi mais tenso. Mais doloroso.
As vezes é apenas uma frase. Às vezes uma palavra. Feito parto, dói, cansa. Mas alivia.
No entanto, há duas formas de lidar com isso. Para uns, é escrever para si mesmo. É incindir luz sobre o monstro debaixo da cama, para si mesmo. Ao enxerga-lo, transforma-lo numa coisa normal, sem temores. Sem incômodos. (auto conhecimento). Para outros - e para mim -, apenas iluminar o monstro não adianta. Preciso do olhar do Outro. Preciso da afirmação.
É como se minha antena transmitisse as coisas e eu precise que alguém assista. Caso o contrario, não consigo ver sentido em transmitir algo que nunca jamais verá.
Não me basta tirar a dor. Preciso ver ela, e entende-la ao ver como e se o Outro a enxerga também. A sente também.
No entanto, esse ano tudo mudou. Venho repetindo continuamente que este é o pior ano de toda a minha vida. Dor, perda, dificuldades, mortes, sangramentos, acidentes, medos. Depressão e Ansiedade rondando o que já esta desgastado.
Com isso, mudou também meu instrumento de expressão. Continuo antena, mas sem receptor para transmitir tudo que to afogando, sufocando.
To bateria prestes a implodir.
Isso por que, antes, minhas palavras me libertavam, pois era um pedaço meu que se esvaia por entre os dedos. Um pedaço - impalpável - de quem eu sou, que se tornava real, e assim inofensivo. O que é real se torna matéria, e toda matéria pode ser destruída ou moldada. Tudo que se escreve é parte de quem escreve.
Mas agora, o que anda me matando. Me implodindo, não é empírico. É físico.
Pela primeira vez, não preciso me reconhecer - como lido com as selfies por exemplo, com os textos -, preciso deixar de ser quem eu sou. De quem eu to. De quem eu estou. Aquilo que esta aqui dentro, que a antena esta captando não pode apenas passar. é como se a carga fosse demais para meus fios finos de cobre torcidos.
Não estou mais suportando ser eu - e não é questão de identidade. De ser Ser. É de Estar. -. preciso escapar de mim. Escapar da corrente sanguinia. Da carne, do osso, da medula. Nos nervos, dos Glóbulos brancos e vermelhos. Da massa cinzenta. Da pele.
Assim, pela primeira vez, a unica forma que encontrei e penso, é corpo. Arte corporal.
As letras não são suficientes no meu hoje. E agora, quanto a isso, tudo bem.
Mas, como escapar do próprio corpo?
Quando a prisão é você mesmo, como lidar? Como expurgar? Como aliviar?
Há artistas que encontraram a resposta. Mas a definitiva. Pra mim, nada fechado serve. Sou mutável, minha arte precisa também ser.
Assim, nu. O estar, prostrar-se, apresentar-se, colocar-se nu. Exposição.
Aquilo que mais causa fragilidade nos humanos, que mais assusta, que mais constrange. Aquilo que mais preciso me livrar. Não posso desaparecer, me livrar do corpo. Então o exponho. Subverto o demônio. Feito veneno de cobra. Pego o próprio veneno para produzir a cura.
Sobre isso que trata 'NUanças'. É expor aquilo que me machuca. Expor a fragilidade insegura, para adquirir segurança. Segurança aos olhos do Outro.
Expor para deixar de ser.
Quando não se preserva, se deixa de ser.
Ando precisando deixar....

"Todo mundo diz "tudo bem", "tudo certo" As vozes de fora que silenciam aqui dentro Num vale de águas profundas Na...

"Todo mundo diz "tudo bem", "tudo certo"
As vozes de fora que silenciam aqui dentro
Num vale de águas profundas
Nadando contra a corrente.
Minhas vida é bateria, que enche e esvai
As vezes vaza, ás vezes implode, ás vezes falha,
Às vezes descarrega, ás vezes super aquece, ás vezes esfria
Às vezes
Todo mundo diz "Tudo vai ficar bem", "Tudo vai ficar certo"
Essas vozes por mais queridas, silenciam aqui dentro
Meu mundo é universo, nele não se propaga o som
Ar rarefeito, gravidade zero
Espaço inabitado, fé e buraco negro.
Sou lua, escuridão que reflete luz.
Que faz a maré ficar caótica
Num vale de águas profundas, afogando o que eu mesmo um dia mergulhei
Não acho que desistir seja desistências,
Não acho que adeus significa partir
Presentes existem em forma de sangue e sono
Com laço ou sem laço, atravessa e vai
Todo mundo diz "Cara, tudo vai ficar bem", "Tudo vai ficar certo, você vai ver"
Essas vozes, por mais queridas, silenciam aqui dentro
Um dia, sob o leito do ''Rio Lea'', contaram a mim
Que o menino dançava sob a luz do luar
Dançava como se o mundo fosse acabar
Dançava e estava tudo bem, era o certo
Mas, contaram a mim, o rio também secou
E essas vozes de fora, silenciam aqui dentro
"Não está tudo bem", "não esta tudo certo"
Num vale de águas profundas...
É lodo, é guelra, é escopo - sim, é.
Num vale de águas profundas
Esperando o menino voltar a dançar onde tudo já secou
Todo mundo diz..."

" o pior de qualquer historia, de qualquer marca é que elas criam lembranças e memorias vivas por onde passam. Quando se vive algo int...

" o pior de qualquer historia, de qualquer marca é que elas criam lembranças e memorias vivas por onde passam. Quando se vive algo intensamente, no período de tempo que for, tal energia- se nesta acredita- se materializa em força e presença física- talvez seja a explicação mais plausível-.
Esta força fica impregnada nas paredes, no ar, no solo, no nome.
E como toda memoria, ela não morre, ela permanece ate que alguma amnesia as atinja- e mesmo assim é uma ida falsa, já que na verdade, a memoria nunca se apaga, nunca se esquece de fato, nem mesmo apos uma amnesia, ela apenas fica inativa, inacessível, mas permanece ali arquivado, ocupando seu devido espaço.
Mas como disse, quando uma força intensa, uma historia intensa marca, ela cria raízes e existência própria, que vagam pelos espaços onde ela aconteceu.
Dai só de passarmos por tais calçadas, tais ruas, tais estabelecimentos, cinemas, bares, citarmos seus nomes, pensarmos em tais bebidas, comidas, roupas, datas, tal historia vem a tona, sussurrando coisas, feito fantasmas, das quais não queremos por escolha racional, mais saber. Mas como tudo que é vivo, como toda força, tem vontade própria, e tudo o que nos resta e tentar fugir ou nos esconder, ate ser seguro bater de frente e encarar tal força, com talvez, uma força, ou historia mais intensa ainda e maior. De modo que tais lembranças, tal memoria, jã não represente perigo, mas nostalgia."
Mas mesmo dito isso, continuo a tendo que evitar, pipoca com bastante manteiga, vinhos, cinemas de shoppings, a estação Santa Cruz, uma certa rua da Praça Roosevelt, alguns becos da Augusta, Titanic, e uma casa abandonada... .-.

"As rachaduras disformes continuam nas paredes. Paredes geladas, um tanto úmidas e enegrecidas pelo tempo. As marcas na pele, já se to...

"As rachaduras disformes continuam nas paredes. Paredes geladas, um tanto úmidas e enegrecidas pelo tempo.
As marcas na pele, já se tornaram troféus e medalhas, de tudo aquilo que já se passou. Venceu batalhas e competições é verdade... Bléh!
Nos pensamentos e nos tic-tac's do relógio e do tempo, permanecem imutáveis sensações, gostos e principalmente cheiros, e arrepios de pele, que simplesmente insistem em impermeabilizarem. Ridículas!
Quando a saliva na boca seca, e a garganta arranha, trazendo aquela náusea, aquela dor de estomago, aquela perna tremendo, aquele descompasso estranho nos batimentos cardíacos e principalmente, aquela insonia, aquela falta de fome; é quando ele mais imagina os 'porquês', ou 'talvez', os 'e se'; que se mesclam entre reticências, emoticons, vozes tremidas e aquele teclado do telefone mil vezes apertados, discados e sempre não completados.
Mas, são novos tempos, novas mudanças, novos passados, novos troféus. Há lugar na estante.
Contudo, a estranheza dessa Nova Era - tão antiga e conhecida - em que tudo parece tão encaixado, tão firme; o alicerce se firmando; e mesmo assim, há falta de fome, a insonia permanece, a falta permanece, o telefone gritando para ser usado permanece. E nos sonhos, quando tudo silencia, novamente o som da voz, o cheiro do pescoço recém lavado, o calor da pele e das mãos quentes, a barba por fazer que arranha e massageia; e a procura com promessas de espera...
Procurando quem o entenda. Porque de tempos em tempos, algo nas paredes, entre as rachaduras novas e as velhas, clamam por respostas. Mesmo diante de tantas mudanças, algo sempre permanece..."

"Algum dia, ainda me permitirei esquecer-me em sonhos. daqueles bons e maus, apenas para sentir ser pleno numa plenitude absolutamente ...

"Algum dia, ainda me permitirei esquecer-me em sonhos. daqueles bons e maus, apenas para sentir ser pleno numa plenitude absolutamente minha. onde qualquer muro dourado ou com aberturas para algum beco magico, sejam fruto de desejos não revelados e de historias sem fim... Deve ser bom, viver num sonho real. Onde sempre se voe, onde sempre se caia do abismo ou nade ate o mais profundo espaço do mar, sem precisar prender a respiração. Deve ser bom realmente viver em sonhar."

"Ah, desgraça inerente à raça!          o grito torturante da morte               e o golpe que atinge a veia,          o sangramento i...

Epílogos

"Ah, desgraça inerente à raça!
         o grito torturante da morte
              e o golpe que atinge a veia,
         o sangramento inestancável, a dor,
    a maldição insuportável.

Mas há uma cura dentro
        e não fora de casa, não
            vinda de outros mas deles próprios
        por sua disputa sangrenta. Apelamos a vós,
  deuses da sombria terra.

Ouvi bem-aventurados poderes soterrâneos - 
         atendei o nosso apelo, socorrei-nos
   Favorecei os filhos, dai-lhes a vitória."*

 

"A Morte é apenas uma travessia do mundo, tal como os amigos que atravessam o mar e permanecem vivos uns nos outros. Porque sentem necessidade de estar presentes, para amar e viver o que é onipresente. Nesse espelho divino vêem-se face a face; e sua conversa é livre e pura. Este é o consolo dos amigos e embora se diga que morrem, sua amizade e convívio estão, no melhor sentido, sempre, sempre presentes, porque são imortais."*
(...)
"Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." 
                              "Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte."**
(...)

"Que eu abandono meu lugar
Rasgando as veias,
Derramando meu amor
Pelas areias.
Anuncia um lindo Sol Radiante:
A última alvorada em teu semblante,
E na perfeição de um céu sem sombras
A gente vai se encontrar.
E das tripas, coração… mais uma tarde
Pra levar o meu amor pra eternidade.
Meu amigo, por favor me aguarde,
que a gente vai se (re) encontrar."***
(...)
"E mesmo quando eu não mais estiver,
Lembre que me ouviu dizer
O quanto me importei e o que eu senti
Agora, Só agora
Talvez você perceba:
                             Que eu nunca vou deixa-lo ir..."****

Onde o mar se apresenta calmo, 
na verdade é onde se esconde a maior tempestade.
Entenda, não é uma fuga - disse ele - é uma retirada.
Não é uma partida - entre lagrimas ele suspirou 
- é apenas um despedida.



*Epígrafe do livro Harry Potter e as Relíquias da Morte( na ordem, um poema de Ésquilo, ''As coéforas''// e um trecho de William Penn, ''More Fruits of Solitude'')
** Frases bíblicas presentes no ''Harry Potter e as Relíquias da Morte'', da autora J.K. Rowling.
*** trecho de ''Das Tripas, Coração'' composta por Lobão (mesmo ele sendo um cochinha sem noção, a musica não tem culpa disso).
**** trecho de ''Só Agora'' composta por Pitty.

"Sou semente que cai na terra, Brota, Floresce, E vai embora" -     Heloisa Vazquez Parte desse escrito aci...

Da Maneira Que For


"Sou semente que cai na terra,
Brota,
Floresce,
E vai embora" -  





Parte desse escrito acima, de uma querida amiga, me fez refletir sobre ser e permanecer.
Porque cheguei a conclusão, que sou uma série de mudanças.
Algumas pessoas quando enfrentam dificuldades, fazem escolhas. 
Umas preferem continuar a enfrentar - cair ou vencer - mas, permanecendo ali, lutando. Defendo-se de sí mesmo para continuar a ser quem se é. 
Isso é casar com a Coragem.
Outras, escolhem fugir. Esquecer ou desistir. Também não é uma escolha fácil. 
Mas, o peso da cruz sempre é particular para cada um que a carrega.
Isso é Aceitação.
Já eu, quando frustro, fujo de mim. E nem é só no sentido de entorpecer-me não. 
É no sentido literal de deixar de ser. Nunca é sem intensidade e nunca é a escolha fácil.
Sinto tudo. De mim e dos Outros. Mas, quando frustro por algum motivo não consigo casar com a coragem. Pelo contrário. Quando frustro, amedronto, caio, deixo e fujo. 
Nessa fuga, muto. 
Mutação.
Pois tampouco Aceito.
Mudo. 

A essência permanece aqui. A estranheza. Porém, muto totalmente. 
Como se mudando externamente pro Outro, isso me fizesse mudar por dentro. 
As vezes, nem sempre.
Só que depois, preciso voltar. Por que não consigo deixar nada totalmente. 
Sou uma mutação acumuladora.
Por sentir tudo, guardo tudo.
Depois volto àquilo que fugi. só pra observar o que passou. Que seja lá o que foi, foi.
Daí posso relembrar aquilo que fui, resgatar o que deixei ao fugir e somar com o que me tornei. Isso é Resiliência pra mim.
É como se eu transformasse minhas dores em panoramas. 
Preciso me afastar para enxergar e compreender o que está acontecendo. 
Não me cabem planos fechados ou grandes angulações. 
Nem tampouco planos abertos. Preciso da panorâmica. 
E nem sempre ela está pronta para ocorrer em todos os graus necessários para cobrir a extensão de cada cicatriz.
É estranho. 
Mas coragem não acho que eu tenha. Acho que tenho força. No sentido de aguentar e tentar de novo e seguir.
Umas pessoas ao se machucarem preferem limpar a ferida imediatamente para não infeccionar. Outras, preferem se anestesiar, para não sentir. 
Outras tantas, preferem amputar a ferida para não lidar com mais nada.
Eu prefiro deixar ela doer. Sangrar e escorrer, mas não encara-la. Deixa-la ser sem observar. 
Me afastar dela e deixar ela cicatrizar como deve ser. E só depois que o formigamento chegar, olha-la. Observa-la e em alguns casos, reabri-la. Só para conseguir costura-la por mim mesmo depois ao fecha-la novamente.
Mas isso tem muito haver com a depressão, desistências e pesos. Acho. 
Há fases que quero deixar de ser o que sou. E fases que não. 
Depende de quem sou naquele momento.
O problema ocorre quando não sei quem sou em cada fase.

No entanto, seja o que for, sei que brotei.
E da maneira que seja o florescer ou o desfolhamento, sei que a certeza de ir embora me dá a bússola necessária para saber, que sim, sempre vou, mas um dia volto. 
Seja da maneira que for...

Como pode nos dar algo como o amor, de forma tão natural e rápida, e tornar isso tão breve? Perda. Sempre foi minha maior dificuldade. P...

luto

Como pode nos dar algo como o amor, de forma tão natural e rápida, e tornar isso tão breve?

Perda. Sempre foi minha maior dificuldade. Perder, deixar, abrir mão, dizer adeus. Nunca soube lidar com isso. Nunca...

Hoje. Terça-Feira. Mês de maio. Mês das mães. Mês em que nasceu meu único irmão. Mais novo que eu.
Eu, sozinho em casa. Três horas da madrugada. Madrugada de frio. Ironia. Amo tanto o frio e hoje, o odeio por ser e estar.
Ódio e raiva. Incompreensão. Sensação e precisar correr, fugir e nunca mais voltar ou olhar pra trás, mas, sem saber como dar se quer um passo em direção a esse lugar nenhum.
O carrinho de passeio, nunca usado, ainda no plástico, empoeirando ligeiramente em cima do guarda-roupa...
Partiu...
A única foto em papel revelada, ainda sem  moldura, estática, dentro de uma taça de cristal sem uso...
Partiu...

A mochila rosa e roxa, destoando entre o emaranhado azul da parede fria, cheia de fraldas, umas pra serem lavadas outras descartáveis para serem usadas...
Partiu...
As fotos ainda salvas no celular, as selfies, os flagras, videos...
Partiu...
A cama, minha cama, com o mesmo lençol da semana passada, ainda com aquele cheiro suave e doce, já perdendo intensidade...
Partiu...
A sombra da mãozinha pequena, rosada e macia, menor que uma caneta, segurando em punho firme meu dedo indicador...
Partiu...

Mas ficou lágrimas, um choro de compulsão desesperado, queimante, lentas e que jorram em profusão. Um choro sem real compreensão, repleto de porque? Por que? Porque??

E o relógio pára por um instante, a mente volta no tempo, à duas horas atrás...:

O telefone toca, as luzes do celular se acendem, minha mãe surge trombando na quina da estante, retira o fone do gancho... Chora, treme e perde os sentidos. Do fone caído, gritos soam mesclados a um choro desesperado, sem palavras - não precisava -, meu pai surge, com as mãos segurando firme a imagem de uma santa, resmungando baixo - " eu pedi e rezei tanto... Tanto..."-, e do meu lado, meu irmão, meu pequeno irmão, ainda dorme de exaustão.
No eco que ribomba ao redor, só consigo escutar suas palavras repetidas ate o adormecer mais cedo... - "o pior já passou... A minha pequena jaja sai dessa.. " -. Ele acorda. Entende... E o planeta, meu planeta, deixa de fazer sentido diante daquilo ganido de dor e desamparo daquele que vi nascer, que conheci ainda no ventre de nossa mãe.
Ele gania, e a dor soava em mim....- "Mãe, você sabe o que é isso?" - ele tentava questionar, enquanto o abraçava, junto da nossa mãe...

O tempo atual volta. Três e trita e dois da madrugada.
Sem sobrinha. Sem afilhada. Sem neta. Sem filha. Sem Ana Carolina. Sem nada, nesse tudo que sobra, sufoca e não sei porque...
Não. Eu não sei lidar... Não sei...
Não. Sei. Não. Não. Não sei...

É impressionante como São Paulo me comporta Seu cinza suas curvas sua estrutura sua frieza e prensa. Sua raiz seu gênio e orgulho seu desam...

Sampa Ampa Pa

É impressionante como São Paulo me comporta
Seu cinza suas curvas sua estrutura sua frieza e prensa. Sua raiz seu gênio e orgulho seu desamor e paixão. Aos diversidade e perigo. Sua incapacidade de descansar ou parar. Sua falta de sono e preguiça. Seu caos em pedras e prédios.
Feito selva realmente aqui se caça ou é caçado. Aqui se mata ou é matado. Aqui se chora ou se grita. O silêncio aqui não ecoa.
As nuvens aqui são mais densas. O céu aqui é mais longe. A noite é menos estrelada mas ha mais luz.
Essa cidade me comporta por completo. É o lugar que mais me sufoca e odeio. É o lugar que mais entendo amo venero e respeito.
É onde meus sonhos são pesadelos e onde meus passos viram vôos repletos de tráfegos.
Vários tons apagados que a rodeiam sem permitir esquecimento.
É a cidade que parece comportar tido que existe de sintético e morte. Mas que transborda vida e organismos.
É uma odisseia épica sem fim ou heróis.
Uma arena de guerreiros e bárbaros sob o rígido de seu próprio leão e minotauro.
É meu espelho onde tudo reflete num emaranhado sem fim...

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Aquilo Tudo que posta no Facebook e mais tantos mistérios que nem mesmo o espelho ou o mundo dos sonhos foi capaz - ainda - de descobrir.