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"Havia uma corda bamba. Erguida e estendida em tudo aquilo infinito que não se podia ver ou perceber. Era uma imensidão sem fim ou come...

Corda Bamba

"Havia uma corda bamba. Erguida e estendida em tudo aquilo infinito que não se podia ver ou perceber. Era uma imensidão sem fim ou começo aparente. Reta, as vezes torta. E lá estava ele em cima dela. Descalço e se equilibrando de pé.
Não dava para saber a qual altura mas, não havia chão aparente abaixo de si.
Horas e dias, meses e anos. Relógio que não para e a cada momento o peso do seu próprio corpo começava a ferir seus pés. Ventania e tempestade. A corda amolece e depois enrijese. Balança. E o equilíbrio começa a custar muito. 
Ele continua a se equilibrar mas a gravidade parece querer lhe puxar. O vento parece querer lhe derrubar. Seu próprio peso cada dia mais pesado começa a afundar sua pele, carne - suas solas dos pés cada vez mais fundo na corda. Manter -se ali parece impossível mas, ele se mantinha.
Tudo que ele queria porém ela poder sentir a corda arrebentar de vez ou deixar - se ceder sobre seu peso e cair no esquecimento. No silêncio..."

Há dias bons. E há dias ruins. Hoje é um dia ruim. Um dia que cansado demais os pensamentos atormentam mais do que distraem. Noite desper...

Stanislavski

Há dias bons. E há dias ruins. Hoje é um dia ruim.
Um dia que cansado demais os pensamentos atormentam mais do que distraem.
Noite desperto, sem conseguir dormir, ainda que exausto. A dor acumula e martela todo o corpo.
E então o impulso nos faz levantar da cama quente e enfrentar o frio para tentar transmitir em palavras o que atormenta. Nunca tem sido tão duro viver.
Os sons da casa se espaçam, entre o respirar falho, entre um ronco, entre um sussurrar qualquer. La fora, um carro, alguns passos. O soalho parece ranger descompassado também. Os ponteiros do relógios da cozinha parecem um réquiem ruim.
Cada filete de luz que vem pela janela, ou com o gélido vento surge como um pendulo pronto para a hipnose. E as palavras de fato, cuspidas como se quer não surgem.
E então vem pequenas lagrimas teimosas, um nariz que entope pela umidade de emoções e sentimentos que não se quer sentir. Não pode. Não deve. Enlouqueceria. Ou já estaria louco quem sabe.
Passam-se as horas e minutos, a garganta começa a protestar pela friagem. O que importa?
A tontura vai diminuindo e dá lugar a uma queimação incomoda nas paredes do estomago.
Quem dera pudesse dormir sem sonhar e jamais acordar. E que isso não atrapalhasse o curso da Terra em volta. Mas não tinha como ser assim.
Pensando em seus personagens preferidos desde a infância notou que sempre teve uma disposição aos mais sofredores. Não os vitimistas - como passou a odiar tal palavra -, mas aqueles a quem os obstáculos surgiam mias altos, mais maciços, mais duradouros.
Os Miseráveis e Vidas Secas. Victor Hugo e Graciliano Ramos Ramos entenderiam... Amy Winehouse pagaria uma dose num bar com certeza...
Entupido. Essa é a sensação mais próxima. Querer liberar aquilo que esta sujando e atrapalhando.
E Cala, e aguenta, e resiste. E entoa: resiliência. Para todos tudo esta assim.
E pensa e pensa e pensa e pensa. E esconde e esconde e esconde... E de repente se sente idiota por desejar de verdade feito quem espera a fada dos dentes que caem; que pudesse crer que ainda tem sete anos de idade e não vinte anos a mais, para ser resgatado e salvo por um herói de capa, espada, escudo e cedro qualquer dos quadrinhos e desenhos animadas que tanto amava ler e assistir sentado na sala, ou agachado na cama com uma lanterna improvisada tarde da noite. O tempo passou.
O menino que hoje é homem velho demais para aceitar ser, que sempre soube ouvir, já não aguenta mais ouvir.
O garoto contestador que sempre imaginou ser mais que a visão alheia pudesse ver, e hoje já não quer ser mais visto ou ver.
Feito fita cassete, só queria poder rebobinar a própria vida, as próprias magoas e dores, desprender as próprias feridas e evitar as multas de atrasos. Só queria permanecer quem sabe sendo aquela tela verde ou preta do fim das historias que tanto assistia, quieto ao fundo carregando os créditos que sobem ou descem rumo ao final de esquecimento. Fita que acaba. Mas, parece que seu vídeo cassete esta empoeirado. E tudo que cresce ensurdecedor é o chiado cinza da TV sem nada. Um saco.
E amanhã, ou assim que a luz do dia resolver dar as caras, ele vai fingir normalidade. Como sempre. Como deve ser.
Feito o melhor dos atores que nunca recebe seu Oscar, que nunca abandona seu papel. Feito 'Stanislavski' que está pregado no palco sem cortinas para esperar fechar.
Sem aplauso ou vaia. Seguindo ate onde consiga chegar...
Definitivamente hoje é um dos dias ruins.

amor da cabeça aos pés


Brasilia. 7h15m. Chove no asfalto das ruas de Porto Alegre. Vindas do céu de Campinas. Vago perdido entre as geografias do mundo e do seu ...

Ah, Baby... Anywhere

Brasilia. 7h15m. Chove no asfalto das ruas de Porto Alegre. Vindas do céu de Campinas.
Vago perdido entre as geografias do mundo e do seu corpo. Desde sempre. 
Ah, baby...
Pego a caneta, e tento me decidir se escrevo maldizeres ou escárnios.; sempre me confundo.
Seu odor que nunca sinto o cheiro. Essa voz, cujo os tons só ouço por vibratos de algum microfone qualquer... Beijo foto em tela, querendo que seja boca, pele, língua e bater de dentes
Sera que você sente?
Ah, baby...
Coloco no vídeo cassete a adaga da Julieta, querendo mesmo é simular seu cacete entrando em minhas portinholas. 
De dedos sem anel, de fricção sem suor.
Revejo o Romeu tomando o veneno -  ou seria ela, que desperdiça o sabor?
Você foi o mais perto que eu cheguei de morrer... 
Ah, baby...
Sera que você entende?
Você foi o mais perto que eu cheguei de querer
Sera que você mente?
Aborreço cem voltas, só para fingir me acalmar
Madrugadas inteiras pensando: sera?
Faço contas de dias e horas. Simulo olhares.
E rio da bobagem.
Mas então, coloco aquela musica no mp3 fingindo ser vitrola e, quando menos espero, vem a voz na cabeça: ah, baby...
Quero te ver rir no mundo, me enxergar no seu olhar, talvez
Quero que você seja o mais perto que eu consiga chegar de morrer
E se for pra morrer, que seja perto, mesmo em São Paulo; afinal:
 ''You know I came from heavy seas
I know your arms can take me there
Your lips can kill me anywhere''

Ah, baby...


A Casa Vazia 'De repente, os ventos de fora começam a zumbir, esfriando e assustando. As cortinas esvoaçam, as janelas trincam. A...

Casa Vazia E Reformas

A Casa Vazia


'De repente, os ventos de fora começam a zumbir, esfriando e assustando. As cortinas esvoaçam, as janelas trincam. As portas batem em uníssono, quase que macabro, como uma nota de funeral sem compasso.
Então, a gente se tranca. Tranca portas e frestas. Cimenta. Enterra. Bate pedaços de madeira nas janelas e nos buracos. Ate mesmo nos ralos e privadas. Toda e qualquer saída ou entrada para o mundo la fora, precisa ser tampado.
Ali, entre a escuridão, como companhia apenas moscas e aranhas, insetos e sombras. A poeira se esgueira cautelosamente e vai tomando a extensão da casa, da cama, dos moveis, do espelho que já nada reflete alem de borrões.
Os alimentos apodrecem, a fome se esvai. As lagrimas param de limpar os olhos e só servem para inchar as córneas, sujar o rosto.
As teias de aranha, os ratos, as lesmas, vão tomando como suas aquele novo mundo encerrado de nós. Uma casa abandonada, repleta de bagunça e sujeira, moveis sem entrelaço, sem simetria, tapetes puídos e um cheiro acre de podridão e acidez, entre vômitos secos e sangues sem dor.
A humanidade vai caindo por terra, enquanto o animal ferido e agonizante vai crescendo pata a pata, ate emergir em esquecimento ou arrebatamento.
Ate que um dia, alguém bate à porta. Seja vivo ou seja morto, seja humano ou seja bicho, seja apenas uma pedra ou um filete de chuva destemida.
E então, uma brisa sufocante - pelo descostume de respirar -invade o pulmão, corpo e local. E se entende que, apesar da alma aspirar em maldições e derrotas de imortalidade, a realidade, é que, ainda continuamos aqui. Continuamos nós. Para o horror ou a benção.
E então, é chegada a hora de tirar os panos dos moveis, limpar a poeira, varrer o chão, lavar as louças e paredes, abrir janelas e arrebentar as portas.
Cansa.
Dói.
Faz sofrer cada milimetro de trabalho para ajeitar e consertar o que se pode cicatrizar e aquilo que só se consegue estancar. Pra continuar.
Então, os espelhos voltam a formar reflexos difusos, repletos de arranhões, mas refletem. A luz volta a entrar, seja elétrica ou a velas.
E, ainda que o vento la fora continue a soprar, a casa já volta a ser habitada com vida. Monstruosa, fria - ou não-. Não importa. Ainda que moribunda: Viva!''


{Re} formas 


Quanto tempo não freqüento aqui dentro?
Quanto tempo não olho ou sinto o cheiro do que exala por aqui?
São tantas horas, tantos dias. Corridas, subidas e descidas. Lágrimas estancadas. A meses que não choro. A um ano que queimo os olhos em líquidos transparentes. Não por não ter o que sentir. Isso há. Há todos.
Mas há tempos resolvi estancar tudo. Dominar e domar muito mais que todos os antes. Segurar. Não soltar mais nada. Ainda que o resto lá fora esteja embaralhado e desordenado. La solto.
São vinte seis que parecem de clichê em clichê seu avesso em sessenta e dois. Ofegante e vacilante. Vejo o passado se reerguer neste presente para uns de maneira nostálgica. Para outros de maneira nefasta. Para mim, de ambas as maneiras. Como se os dias se acumulassem e fossem transpassando o tempo e dizendo a mim, como deveria conta-lo pois ele é limitado. Como se aportasse ali adiante um montante incerto de mais caos, mais terrores, onde agora eu deveria apenas pernoitar em calmaria e espera.
Nunca soube esperar. Sempre atrasado. Nunca esperando. Não sei chegar no horário que o ponteiro indica e não sei esperar ele revirar suas voltas. Coisas mudam. Isso nunca.
Tenho passado meu próprio passado como flashs num olhar distante, de momentos tais que me trazem angústia e um riso frouxo. Sabem aquela lembrança de ter visto um senhor idoso beijar sua esposa num parque a anos atrás? Esse tipo de sorriso que não é felicidade e nem humor. É apenas um esboçar involuntário gostoso como um abraço calmo.
Tenho estado impaciente, por tantos tempos - assim no plural - que me recuso a olhar pra dentro, que já nem sei mais como está a casa que deixei de resguardo.
Mas, agora ao ler de relance um texto sobre redondismos me peguei pensando nas formas. Não nas geométricas. Mas nas formas que essa vida nos pega ditando sabores, odores e coisas que seguem uma fluidez que não se estanca a nossa vontade. Quem me dera poder mudar as formas das coisas. Pessoas, do asfalto, do barro sob meu tênis surrado, do som da minha voz. Mas, pela primeira vez, em minhas formas, nada parece que meu querer quer mudar. Está assim, e assim deixa-se estar.
Sim, há alguns sentires que queria poder deixar. Mas, pela primeira em muito tempo, essas formas estão e não me causam lágrimas por estarem.
E isso é bom não é?
Ainda que no peito e na pele permaneçam a sensação de que tudo que se estanca em breve transbordara. Tudo que em forma em breve desformara. E tudo que é bom, em breve... Bem, em breve.
(E tomara que a forma dessa sensação esteja imperfeita dessa vez)

''O primeiro dia de nós Derradeiro fim de semana dum de eu O primeiro dia de nós Em nós de cordas amarras e laços Andou ate vira...

''O primeiro dia de nós
Derradeiro fim de semana dum de eu
O primeiro dia de nós
Em nós de cordas
amarras e laços
Andou ate virar a esquina e cansou
doeu pé, doeu ar, agitou mão
continuou a andar
encontrou e desencontrou - era o que queria
parou, pegou ar, quis pegar chuva.
rezou pra chover mesmo sendo ateu
choveu.
agradeceu a ninguém a quem acredita
e andou mais.
Sentiu cheiro de tudo, enjoou e revirou
chão, lixo, sangrou a perna que não aguentava mais
olhou, deixou sangrar, sorriu
sentir alem sentir
era o que queria.
encharcou no banco do ponto do ônibus que nunca pegou
e nunca passou
lá, você disse: tudo bem?
olhou, pela primeira vez em 19 dias chorou sem tentar esconder
A dor no joelho doeu
o gelo da chuva no corpo tremeu
o cansaço dos pés cansou e o ar que faltava arfou
duas lagrimas pelo que se lembra, estancou.
hj escreve que na hora mentalizou: o primeiro dia de nós.''

"Penso que a depressão é aquele mergulho acidental dentro de si. Dentro de seu próprio ser. Penso não. Sinto. O problema, é que nem...

"Penso que a depressão é aquele mergulho acidental dentro de si. Dentro de seu próprio ser.
Penso não. Sinto.
O problema, é que nem sempre sabemos nadar, nem sempre há superfície clara para boiar. Nem sempre sabemos minimamente de que líquidos são feitos nossos nós. Nosso ser. E é ai que nos afogamos. O mergulho vira queda. Vira sufoco. Vira perdição. Sem saída, sem som, sem luz.
Como um ser terrestre preso no fundo mais profundo de um oceano sem começo ou fim aparente. Tão profundo onde a luz, as cores, o próprio solo não chega.
E ai falta ar.
Falta tempo.
As horas se perdem, perdem sentido. O tato se esvai, pois os dedos vão murchando. A sensibilidade da pele encharca. Não ha fome. Não há razão. Só o ali.
O ali escuro, o ali profundo. O ali 'devastidão'. O ali tão só, tão ser. Tão si.
E então, de repente, quando de repente, o liquido se torna viscoso, ou árido, quente, pulsante, febril, gélido, áspero.
E aquele silencio se torna ensurdecedor. Faz-se gritaria no emudecimento.
De vez enquanto há pessoas, ha coisas, ha sentimentos ganchos, pessoas anzóis, que pescam a gente desse profundo. As vezes tantos, a pele, os ouvidos, a visão, já não sabem mais se adaptar à outrora antes do mergulho. Acostumou-se o físico à depressão do nunca ali, mesmo que a razão volte ao tudo aqui.
Uns se levam. Pé ante pé, roda ante roda, dia anti dia. Suportam e ate readaptam-se. Não voltam ao antes do mergulho, mas seguem.
Outros... Bem, outros vão. Se vão alem do que sei lá.
E no meio termo dos 'Uns' e dos 'Outros' sempre se encontram 'Alguns'. Alguns-eu. Entre o profundo e a superfície, o seguir e o ir.
Escrevo. Derrapo. Na beira, na orla. Sempre na orla...''

"Entre o beijo de 5 minutos atrás e a premonição do fim, pode caber uma vida inteira." E, nessa frase proferida a esmo, numa ...

Descrônético

"Entre o beijo de 5 minutos atrás e a premonição do fim, pode caber uma vida inteira."

E, nessa frase proferida a esmo, numa quinta feira de madrugada diante do espelho, é que eu te vi pela primeira vez.

Olhos curvados sobre ombros atentos.
às vezes, parece que passamos uma vida inteira procurando aquilo, que nem perdemos ou, que nem precisamos de fato encontrar. Mas, que quando surge parece tão certo.
Com a gente não foi assim.
Chovia na cidade de São Paulo e, você sem guarda - chuva, tentava atravessar uma avenida de carros insubordinados. que só queriam encharcar os transeuntes.
Eu, sempre despreparado, nem guarda - chuva me limitei a carregar. Tentava me proteger dos pingos gelados, diante de uma quitanda abandonada - provavelmente -, do outro lado dessa esquina em que te observava tentar atravessar.

O espaço entre seu escorregão, meu riso alto demais e o olhar desconcertado duplo de nós dois, pouco importa pra essa crônica. O caso é que nós viramos caso naquele quitanda sob a chuva torrencial. 
Barba por fazer, mais altura do que os pés pareciam suportar. E eu, com certeza mais velho do que eu achava aparentar e cabelos assentados pingando gel de maneira nada higiênica - assim você me descreveria.
O tempo parece pregar peças naqueles que tentam doma-lo. 

De um ''até logo'', para uma meia volta para passar seu número de telefone, foram cerca de uma hora e meia. Duas horas para eu me arrepender de te pedir. E talvez sete para perceber que você havia me dado o número errado. 'Sem querer', disse você no dia seguinte, no mesmo lugar, sem chuva e sem tombo, sabe-se lá o como que essa vida ou destino, ou única via para o único mercado do bairro, nos reencontramos ali.
Mas o horário. Que poderia ser qualquer horário, ali estava duplo. Para compor nós dois. 
E um número certo, um sorriso, uma piada ruim, um andar mais duro e controlado - imaginando as possibilidade ridículas de alguém que não procura, mas acabara de achar -, depois se seguiu.
Seguiu-se festas, baladas, brigas. A primeira mágoa - Você me magoou. 
A primeira traição sem corpos ou sentimentos - Eu falei e não cumpri.
A terceira dúvida. E a volta diante da tentativa de criar algo que nem sempre sabemos o que é.
O sexo era bom. Nem extraordinário e nem ruim. Bom. Não havia, como na maioria desses casos, nenhuma romantização de cinema ou de literatura.
Havia a cueca rasgada, a unha do dedinho do pé mal cortada. Certa flatulência de madrugada e a incômoda tarefa da primeira ida ao banheiro de manhã. Havia até mesmo as chatices, o aturar ciúmes bobos, e inseguranças sérias, palavras feias e paciências repetidas. Havia tudo que parecia inadequado por não estar no manual de comédias românticas e livros de Jane Austem. Não havia tampouco aquele trama de novela para, podermos inventar alguma trilha sonora. 
No entanto, havia fotos. Muitas fotos e vídeos. Registros maculados tentando externizar esse manual de felicidade perfeita ou de brigas apocalípticas, como manda o script. Para quem quisesse ver, ler e ouvir.
Havia Radiohead e aquela Ana Carolina escondida, só para não dizer que não curtia um nacional. Alguns sertanejos criptografados entre a pasta de pagode antigo e o pop melodramático todos com senha no laptop. Havia tudo o que não devia haver. Mas, havia.
Aliás, havia disparidades. As diferenças políticas. 
Mas, eram nas ideológicas que o respirar fundo imperava. Que o olho ciscava até a boca para tentar remediar um "chega" que nunca chegava de fato.
Porque havia tudo isso. E por essas coisas, tudo na maioria das vezes estava bem. Até mesmo quando não havia nada. Quando havia o nada. Tudo bem.
Então, houve o primeiro 'eu te amo' incerto, seguido de outra chuva gelada.
Não fazia frio de fato, era so uma garoa de verão. Mas, lembro que era outono.. Não há o que entender.
Seguiram - se noites estranhas e manhãs de canseira. E por fim, fim.
Num dia de sol...
É engraçado notar que as vezes, escutamos e lemos canções e histórias de amor e, tentamos a todo custo encontrar algo igual. Um mesmo par, uma mesma música tema, os mesmos trejeitos. Tentamos enxergar um outro alguém para que haja sentido neste que somos por inteiro, num só. Como, parecemos espelhar romances e tragédias, sorrisos e choros, feito um diretor de teatro, tentando exprimir o melhor, o mais intenso daquilo, para sobrepor em sentido de que aquilo é certo. Que aquilo é o que se quer.Engraçado.

Romances estão cheios de encontros e de saltos. De desencontros e fincamentos. De câmeras desfocadas, de narrativas esparsas e linguagens dispersas. De pianos e violinos. Repletos de conquistas e desafios, de resistência e tentativas e dívidas também. Romances estão repletos de poemas, de crônicas com metáforas, de por do sol, e de luz. De corridas e arrependimentos. De hesitações... Está repleto de belos e belas, de diferenças e completas. De decepções e momentos de comercial de coca - cola.
Nosso romance não era assim. Não foi. Não é. Mas esteve também, assim mesmo. Já fomos aqueles do jantar e cinema, do motel e cantinho escondido durante uma reunião de trabalho. Já fomos a rapidinha no banheiro da faculdade e a foto de casal no Facebook, temos que admitir. Admito.

O nosso nós, era de incompletos. De chuva. De tombos e piadas ruins. De café fraco e perda total após uma tequila qualquer. De rock pesado e bossa nova e até algum funk com bunda sendo arrastada no chão da pista nos finais de semana de coragem e disposição com pó branco. 
De guarda - chuvas quebrados, de desejos mal resolvidos. De dúvidas sem resolução e até de distâncias. Era de insônias e horas de sono demais. Era de desemprego e falta de grana, de briga política, de braço quebrado numa queda de escada encerada. De fila de hospital após dengue adquirida e confirmada.
Era feita de esquecimentos. De perdas. Era de caos e turbulência. Era de liberalidade sem sutilezas e, dessas também sem franqueza.
Era de textão e monossilábicas respostas. De prazer sem cócegas e de sorvete um pouco derretido.
Era de chatices. De ingratidão. Era de tudo que existe entre os cinco minutos do beijo de língua que vira selinho, até o "se cuida" do nunca mais um "te quero" proferido
Era de esperas olhando a catraca do metro lotado. De celular descarregado e de hipnóticas visões de tela sms e whatsaap não 'chegado'. Era de preguiça e não to afim. De cada um virando para um lado da cama, com expoentes de sofá e casa da melhor amiga. Era sobre tudo de silêncios e descomunais gritarias.

O nosso nós não tem descrição concreta. Mas possui lembranças. As vezes se confunde entre o que ta aqui e o que já foi. E ate mesmo, talvez, naquilo que nem ainda é.
E mesmo entre esses desalentos esquisitos, entre a razão e a emoção de constelações e signos, e, a cruz invertida em prece e fé, nessa turbulência; é que talvez  seja, e esteja o amor do nosso nós. De nós. 
É diferente. Não é crônica. É descrônético.
Os amores são como arco iris em dias de verão...
Nosso amor é feito tempestade. E é bonito.


Poderia fazer mil analogias aqui, quanto a Marca Negra ter enfim levado  meu eterno Príncipe Mestiço. Poderia inclusive escrever sobre como...

Ao meu Príncipe Mestiço

Poderia fazer mil analogias aqui, quanto a Marca Negra ter enfim levado  meu eterno Príncipe Mestiço.
Poderia inclusive escrever sobre como a representação de um dos personagens mais importantes da minha vida, no cinema, me marcou de tal forma, dentro de sua complexidade e ensinamento,me marcou.
Poderia ainda gastar dígitos explicando por que a perda desse ator é devastadora pro cinema mundial, dado seus personagens e sua carreira brilhante.
Mas, não dá. Uma partida que me pegou de surpresa e que ta pesando sim. Não ha como elaborar nada, alem do silêncio da falta, de alguém que nem se sabia que se tinha tanto apreço.
Mas, como aprendi na obrigação ano passado, e como nos livros também me ensinaram: "Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a aventura seguinte.''

Apenas um atravessar pelo véu.

Vai em paz Alan Rickman.
Obrigado pelo legado na Arte. Obrigado por ser o eterno rosto daquele que amou para sempre.
E obrigado por me fazer perceber que há símbolos que nos atingem tão profundamente, que jamais esquecemos.

#Always e #FiniteIncantatem <3 br="" nbsp="">


Texto de homenagem no Cinema Em cena, Por Pablo Villaça também aqui >> 

''"You have your mother's eyes."
Obrigado por tudo, Snape.'' : http://www.cinemaemcena.com.br/Noticia/Ler/3338/alan-rickman-1946-2016

O racismo é enraizado. Não é somente questão de apontar o dedo, chamar de animal, ofender ou excluir. Racismo está inclusive no imagin...

Jout Jout, Caio e o Desprazer do Racismo Que Não Ta Nada Bem.




O racismo é enraizado. Não é somente questão de apontar o dedo, chamar de animal, ofender ou excluir. Racismo está inclusive no imaginário, mesmo daqueles que juram não ser racistas.




O que tem que se entender e que ando lendo na maioria dos comentários em reação ao vídeo, é que todo ser humano que nasça com características consideradas negras (pele escura, nariz largo, lábios volumosos, cabelo volumoso e crespo, e etc), só por nascer, já é institucionalizado a sofrer racismo. Simplesmente por que nossa sociedade patriarcal a hegemonia branca.
Explico de forma 'simples': Se você que se considera pardo, negro, moreno o que for que seja, mas que não seja branco, é visto como à parte da sociedade. Seja pela classe social, seja pela aparência. A partir do momento que quando se referem a você como aquela pessoa morena, aquela pessoa parda, aquele moreninho/moreninha/mulata, isso já é racismo. Racismo comportamental. O simples fato de definirem você com o adjetivo étnico já fala por si só. É importante saber que não é por que isso nunca  incomodou, que não o ofenda, que isso deixe de ser racismo. Inclusive assim como mulheres reproduzem machismo. Negros reproduzem racismo (mas, mulheres nunca serão machistas, assim como negros nunca serão racistas. É afirmação. Nunca.)
O processo de descoberta de identidade demora. por que é difícil aceitar que só por ter nascido, você é automaticamente definido e classificado como algo a parte da maioria. O que no Brasil é inclusive irônico. Sendo que a miscigenação é tamanha, que o 'comum' deveria ser adjetivarmos pessoas brancas e não negras, já que a grande maioria, quase a totalidade tem traços negros, ou realmente são negros. O 'comum' quando imaginássemos Caio, deveria ser já imaginarmos ele negro, afinal, estamos falando de um carioca, onde a predominância são de negros. Mas, a lá o racismo que nos faz enxergar branco sempre.
Quando Caio começou a surgir em fotos e etc - que os fãs alucinados de curiosidade buscavam pela internet/inclusive eu - os comentários eram sempre os mesmos, de que imaginavam o Caio totalmente diferente da realidade. Esse diferente está sobretudo na cor/etnia. Explico: se eu contar uma historia, em que eu oculte a cor do personagem e características como formato do nariz por exemplo, qual etnia vocês imaginariam esse personagem? Algo semelhante ocorreu com a Hermione Granger, personagem dos livros de Harry Potter, em que uma enorme onda de racismo surgiu, simplesmente pelo fato da possibilidade dela ser negra.
O fato, é que somos ensinados a pensar branco. Todo nosso imaginário de ser humano, bem como de pessoas bonitas, ideal de beleza, é direcionado a pessoas brancas. Quando notamos o quanto caio parece ser legal e acabamos idolatrando o cara, mesmo sem ter visto o rosto dele, somos impelidos a imagina-lo como um ser branco. Só pensamos negro, quando nos é direcionado explicitamente para pensar assim.
Sem exceções.
O vídeo que fala por si, e assim não me estendo mais, fala sobre racismo, sobre identidade étnica e sobre colorismo. Ambos Caio sofreu sem saber (e notem, que a palavra/expressão sofrer, não precisa denotar dor ou dificuldade. Simplesmente denota a ação de ser atingido por algo).
O vídeo é ótimo como reflexão e inicio de debate.
Confesso que me preocupei quando ele disse já no incio que não se considerava  negro, mas sim pardo (ate hoje esse Wtf? desse pardo me intriga). Então percebi a lindeza, ainda que sob levante racista, do ato da descoberta identitária dele. Eu passei e estou passando por algo semelhante. Sempre me impuseram que eu me declarasse Pardo. Quando nasci colocaram na minha certidão de nascimento que eu era pardo. Conforme cresci, meus amigos me identificavam como moreno. "O Will, sabe, aquele menino moreno..".

Demorou um tempo ate eu me identificar como o que sou: Negro. Preto.
A questão étnica vai alem da cor. Vai alem da classe social. É característica de ancestralidade, de historia, de existência. É quase como uma identidade de gênero. É a clareza de entender-se como gente perante o mundo.
No vídeo há links para se aprender um pouco o que é colorismo, o que é racismo (inclusive ideológico e comportamental) etc. Já acessei ambos e são massa galera, bora largar preguiça e ler, aprender, se informar, debater, se auto questionar e aprender de uma vez por todas que vitimismo não existe, que racismo é realidade sempre - infelizmente -, que não existe Racismo inverso, que nenhum branco JAMAIS sofreu ou sofrera racismo, que não é que hoje em dia tudo é racismo, que a militância ta chata, é que sempre foi, mas hoje em dia ainda bem, os oprimidos tem direito a voz, e a não se calar mais, a não deixar pra lá. Bora largar de preguiça, para não dar informação errada pros coleguinhas.


Buscar e entender-se leva tempo. tenho 26 anos, e só comecei a me descobrir a um ano. Para uns levam apenas 10/20 anos. Para outros, leva 30/50/ morrem sem descobrir-se. Tudo é desconstrução. Vi abaixo um guri que ainda não chegou no momento de se desconstruir. E galera, tudo bem. Cada um tem seu momento e sua historia pessoal para se identificar como se é. Identidade nunca é e não deve ser imposta.E como disse, quando o assunto é etnia, ela vai alem de biologia. De físico. Ela é identitária. Ela é pessoal,. vem de dentro para fora, ainda que o fora do mundo, as vezes nos arranque ou fure a ponto de atingir aquilo que ha aqui dentro.

Moreno é cor de cabelo. Ou a pessoa é loira ou é morena por exemplo. Mulato é um xingamento. É um termo pejorativo criado a alguns séculos atrás para designar pessoas negras (O significado visa assemelhar pessoas negras de país interraciais como mulas, daí a expressão. Atualmente isso é inaceitável). Quanto ao pardo, ele foi uma designação criada para anular uma etnia miscigenada. Ele tem muito a ver com Colorismo, que é justamente o que ocorre com pessoas que tem características negras, mas tem pele clara, ou que ao contrário, tem pele escura, mas traços finos e retos, que são características de brancos. 
Quando a militância negra diz que se você é classificada como Parda, na realidade você é negra, é por que se entende que o Pardo não visa ser uma nova etnia ou raça como alguns preferem chamar, mas, sim anular uma etnia para higienizar a aceitação do negro na sociedade maioritariamente em ideologias brancas (note o ideologia). 
Resumindo, pardo é o mesmo que dizer a você que apesar de ser menina, por não gostar de boneca Barbie não pode ser considerada mulher (branca) mas também não é homem (negro), então você é parda. (entendem a analogia?)
 É de forma bem rasa e superficial isso. 
O termo pardo nasceu apenas para que se aceite melhor o negro. Afinal como tantos relatos aqui nos comentários tanto de negros como de brancos, pardo é aceitável. 
É bem visto. Quando você se declara negro ou é identificado como negro, toda sua situação social por exemplo muda, porque ser negro é ser à margem da sociedade até hoje. Logo, ou você é branco ou você é negro. 
E quando se há essa mistura de 50% como citou (e isso não existe biologicamente falando, nos links também há essas informações), o que predomina são as características étnicas que possuir. Lembrando mais uma vez, que ser Negro não é apenas questão de tom de pele e de características físicas.
Nisso, é importante salientar também, que essa historia de 'vamos falar de consciência humana", ou de que temos que pregar a igualdade e não características e importâncias e orgulho de 'raças' (o termo mais correto é etnia), é uma balela errônea, pois não se encontra igualdade, antes de se haver justiça e reparação, em busca de equidade e equiparidade. E isso vale para todo e qualquer movimento de minorias históricas oprimidas e/ou segregadas.

No mais, Caio:

Will Augusto. Tecnologia do Blogger.

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Aquilo Tudo que posta no Facebook e mais tantos mistérios que nem mesmo o espelho ou o mundo dos sonhos foi capaz - ainda - de descobrir.