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Ancas
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Dos desesperos de minhas ancas apareciam as marcas do que
deixei de conceber à custa de redenções.
Assim como as novelas mexicanas, o tormento e a dor do
sofrimento pareciam relevantes e ate mesmo aceitáveis, uma vez que isso era
digno e nobre. Ser bom afinal – evitar liberar o cisne negro existente no
profundo ser chamado eu.
Mas não funcionava. O desejo latente conflitava de forma
absurda com o calor vindo por entre as coxas e das costas ate as nádegas.
Quente e úmida era o que era e queria se libertar.
Lutar fisicamente já não era mais valido também, uma vez que
ate mesmo o sangue estava começando a se tornar prazer. Libertou, deu-se a um
gozo profundo e necessário sem tempo para chantagens, ou arrependimentos.
Dias passam e volta tudo, a ânsia da abstinência, por sentir
culpa ao eleger uma certeza em duvida, dessa forma confusa o roubar de sua própria carne compartilhada;
alegrias futuras eminentes se não houvesse sucumbido à condição humana de
querer.
Daí a falta aparece na vontade maior e percebesse o que
sempre ocorrera – medo de ser, ter e perder – afinal ânsias semelhantes na vida,
mas que aqui no desejo das luxurias mais sujas e apetitosas se fazia irrelevante,
e apavorante. Decidi mudar, restabelecer totalmente um sistema pragmático de
formulas, ações, falas premeditadas e ate mesmo horas tempos e comentários
ensaiados, numa mascara de madeira perfeita, sem rasuras, emendas ou trincos.
Mas continuo sendo humano, pelo prazer do sangue as ancas
gritam por seu membro e nada e nem ninguém é capaz de acabar com esse tormento.
As ancas... Sempre elas... As ancas...


