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Havia um ser imortal no mais profundo oceano do alto de uma inalcançável montanha. A ideia de imortalidade é a crença de jamais morrer. J...

Saber Amar

Havia um ser imortal no mais profundo oceano do alto de uma inalcançável montanha.
A ideia de imortalidade é a crença de jamais morrer. Jamais findar-se de forma física e consciente do mundo. Para alguém imortal por tanto, a maior tragédia em se ser, é justamente saber que tudo aquilo que amam ou amarão, nunca durará. Afinal, o amor é mortal. Tem em sua mortalidade física e consciente sua existência. Seu sentido de ser. Pra esse ser, sua mortalidade não fazia sentido. E por tanto, nada carregado por ela.
Quando alguém se constrói tentando a todo custo ser um cisne branco ignorando quem realmente se é, seu lado sombrio começa a emergir. A reivindicar espaço. Sombras não de maldades. Mas de obscuridade. Tudo aquilo que é escondido e não revelado. O cisne negro pede para abrir suas asas, nem que para isso preciso usar seu próprio sangue para levantar voo de dentro de si.
Espelhos quebram, feridas rasgam. E então, sob a luz do luar, a negritude se azula. Em tristeza e sofrimento. Mas em percepção plena de quem se é. O cisne entende que pode voar e nadar na imensidão de suas lagrimas guardadas. Fragmentado, a imortal fênix não quer mais renascer das cinzas. Quer ser o ovo e não galinha. Quer nascer de fato. Nem que pra isso precise morrer. Abraçar sua mortalidade e deixar a imortalidade que tanto sentiu se dissipar.
Ao longo dos anos esse ser mítico como aquilo que não existe ou se enxerga, foi pouco a pouco construindo muros em volta de si. Pra barrar toda e qualquer possibilidade de deixar o amor de fato lhe encontrar. Pois parte de seus instintos que insistem em recusar liberdade, sabem que ao se abrir a alguém, esse alguém mais do que qualquer outra coisa, mais do que seus pais ou amigos, poderá acessar seu eu mais profundo e verdadeiro. Aquele que nem mesmo ele conhece. E esse medo do desconhecido o blinda.
Mas, por quanto tempo?

"Palpitação. Agitação.  Sensação de que o peito irá disparar. Uma espécie de queima no meio do tórax. Certa dificuldade de respirar e d...

Ansiedade

"Palpitação. Agitação. 
Sensação de que o peito irá disparar. Uma espécie de queima no meio do tórax. Certa dificuldade de respirar e de ficar imóvel. Desconforto intenso. Vontade de que isso pare. Cesse. Voltar a normalidade. Como uma espécie de angústia que nos faz perder o fôlego. Como se estivessemos extremamente cansados ou nervosos. A mesma sensação de quando uma raiva incontrolável toma conta do corpo e não se pode ou não se consegue esvai-la. Contida ela faz o corpo tremer, se agitar, o coração acelerar, os pensamentos se entrecortarem, tontura. Uma tortura.
Passam-se 10 minutos que parecem 10 horas. Ou 30 minutos que seguem indisformes. Parece que algo nos ossos esquenta. Uma espécie de dor torpe como um princípio de câimbra se instala nas pernas. Do joelho pra baixo. Na panturrilha e extremidades dos dedos.
E de repente... "

Ao longa da vida fui acumulando escudos e espadas. Mas, também fui acumulando crostas tão duras e fendas nestas tão profundas, que o si...

Ele Sou Eu

Ao longa da vida fui acumulando escudos e espadas.

Mas, também fui acumulando crostas tão duras e fendas nestas tão profundas, que o silencio e o escuro foram exalando pelos poros.
Mas, tal qual cego, aprendi a perceber e conhecer de maneira plena tudo ao redor, e jamais saber me reconhecer. Nunca me vi. Não possuía visão. Mas...

Imaginem que alguém, desde o nascimento foi exposto a dores: socos, chutes, facas, martelos, pregos, ferros quentes, fogo na pele, unhas a serem arrancadas, dentes destruídos desde a raiz aos nervos, águas nos pulmões, enxaquecas persistentes em uma sucessão de gritos e movimentos bruscos. Uma cólica incessante; Tudo isso, causou a esse alguém uma cegueira quase irrecuperável. Ano apos ano, ele ia se fechando, aprendendo a ser aquilo que escutava, aprendendo a caminhar 'no vale das sombras' sem temer por ser parte dele. Aprendendo a somente ver o que ha envolta por seus sentidos aguçados e sensibilidade latente, para suprimir a visão de si mesmo que jamais conseguiu conhecer. Um alguém que nunca se enxergou tal qual é.

Imaginem que um dia, algo ocorre. Apos uma dor especifica, um massacrar de coração, um esvaziar de alma e espirito; de alguma forma sua visão justamente pelo trauma começa a retornar. E quando finalmente lhe apresentam a imagem de quem ele é e sempre foi, ele não se reconhece. Quando ele se olha no espelho, ele não sabe quem é aquele refletido.
Ele sou eu.

... mas, igualmente tal qual alguém cego, aprender a sobreviver quando o mundo parece não existir para você é um valor que pouco a pouco, to aprendendo a conhecer.
Me adaptar a luz, reconhecer-me e gostar do que vejo. Mas, acima de tudo, ter consciência das realidades fora das crostas e das fendas da caverna.

Por ser gay o mundo quer me ver morto.
Por ser negro, o mundo quer me ver morrer.
Por ter algo crônico, o mundo - e a vida quer me ver desistir.
Por ter depressão, os dias não querem me ver amanhecer.
Por ser pobre, o mundo quer me ver cansar.
Por ser preto não pauzudo, o mundo quer me ver solitário.
Por crer arte, o mundo quer me desacreditar.
Por não saber ser, o mundo quer me ver invisível.
E justamente por me atrever a cair e continuamente levantar, o mundo quer me ver perder.

Como disse Oléria: "Não é contando por contar, não é por vaidade;
Mas peito pra encarar a vida louca com coragem''
Meu Eu sempre foi Ele. E tal qual as selfies, acho que finalmente to aprendendo a tornar
meu Eu em Eu - meu.
Afinal, de que servem as espadas e os escudos, se não forem para enfrentar e derrotar dragões?
É, o dragão da vida vai ter que se acostumar. Não pretendo mais ir. E se bobear, feito Filho da Tormenta, talvez, um dia, chegue a hora de aprender a montar.

"Alô, alô, som
Teste! 123, testando!"♫



Do latim 'agradarei'. Realidade ou irrealidade, sentir-se-ei em detrimento de inerte-me-ei. Fuga ou achado. Do acreditar fazer cre...

Placebo

Do latim 'agradarei'. Realidade ou irrealidade, sentir-se-ei em detrimento de inerte-me-ei.
Fuga ou achado. Do acreditar fazer crer. Do nocebo excruciar, e ver.
A percepção de fuga e busca, muitas vezes possui uma limítrofe quase que indistinta. Quando estamos fugindo? Quando estamos nos encontrando?
Viajar para escapar ou para se achar? Como saber se a necessidade de ir é a de entrar ou de sair?
Tudo que somos possui varias facetas. Invariavelmente inversas ou semelhantes. Nossas sombras são escuridão, mas as vezes elas acendem e ascendem mais que a luz.
Encarar nem sempre é sinônimo de enfrentar. Da mesma forma que calar, nem sempre é sinônimo de amuar.
Muitas vezes descrevemos aquilo que sentimos, sem de fato sentirmos aquilo que descrevemos.
Entender ou conhecer seu verdadeiro Eu, ou simplesmente o seu Eu 'mentiroso' pode ser uma verdadeira jornada do herói.
A duvida entre as idas e vindas, entre as voltas e retas, é saber se haverá redenção ao final.
É como a antiga lenda do Garoto Invisível das Sombras: mergulhou sem saber nadar no mais profundo esquecimento de tudo aquilo que mais o feria, para saber o que era que lhe causava dor. Não para suturar seus hematomas, mas para enxerga-los e saber que são seus e não ecos trazido pelo vento de um outro alguém.
Coisas morrem para que outras consigam se permitir reviver ou nascer. As vezes apenas fecundar-se já é o bastante.
E entre uma escolha e outra, entre uma dor tremida e outra, o Garoto das Sombras começa pouco a pouco a aparecer.
E a primeira impressão a ele apresentada, assustava, temia, mas afinal, o que não foi temido e resistido em suas veias ate hoje?
(No fundo do poço, as vezes ha água, as vezes ha lama, as vezes ha petróleo. E dos ossos de vidas passadas pode se encontrar solução para vidas, no liquido que gera vidas, pode se encontrar o findar dela, e as vezes lama é somente lama. Mas, diz a lenda que o Garoto emergiu...)

É como mergulhar.   Sem saber quando ou como, certa vez ele mergulhou. Era uma psicina funda e densa. Ele sempre fora um bom nadador. Sem...

O Mergulho

É como mergulhar. 
Sem saber quando ou como, certa vez ele mergulhou. Era uma psicina funda e densa. Ele sempre fora um bom nadador. Sempre ajudou tantos a boiar e nadar. Sempre.
Mas, alguma coisa mudou. Ondas atrás de ondas, tufão atrás de tufão. De repente a piscina virá oceano. Não se enxerga porto ou cais. Nem terra firme ou mesmo pequena ilha. Não há bote ou embarcação. Muito menos salva-vidas.
Lá dentro d'água tudo parece tão igual. Escuro, frio, sufocante, sem poder respirar direito, mas os cabelos, a aparência; iguais. Ao menos, assim todos o vêem.
Aos poucos porém, os dedos, a pele enrugam. Os ouvidos tapam, os olhos permanecem estáticos. A pressão faz desordem no sangue. Não ha chão. Não ha equilíbrio.
As pessoas em volta parecem observa-lo como se ele estivesse envolto em um grande aquário - assim lhe parecessem as fotos e sua imagem no espelho.
Ele vê o mundo já turvo. Olhos por dentro da água salgada - resseca, marina.
Braçada após braçadas. Ele contínua nadando. Afunda, mas tenta emergir. Passa -se o tempo, e ele começa a achar que é peixe. O andar, a terra firme, o ar; parecem um sonho distância. Uma idéia distante. Uma lembrança antiga que não se sabe se realmente aconteceu. Aquela água vira conhecida. Vira meio, começo e fim. Vira ecossistema. Universo em fim. Mas ele - peixe - não é.
(Ele sou eu.)
Aquela água sua mente, seus sentidos, seu coração. A depressão.
Aquele oceano, a vida. Seus dias. Seu tempo.
E então, depois de tantas braçadas, o cansaço sucumbi o próprio cansaço.
E a única coisa que o cérebro ainda consegue discernir, é que já não sabe mais como nadar ou boiar, no entanto, definitivamente ele não quer mais se afogar.
Não quer se afogar.
Mas, Seus olhos são cheios d'água.

"Havia uma corda bamba. Erguida e estendida em tudo aquilo infinito que não se podia ver ou perceber. Era uma imensidão sem ...

DEPRESSION AND RESILIENCE




"Havia uma corda bamba. Erguida e estendida em tudo aquilo infinito que não se podia ver ou perceber. Era uma imensidão sem fim ou começo aparente. Reta, as vezes torta. 
E lá estava ele em cima dela. Descalço e se equilibrando de pé.

Não dava para saber a qual altura mas, não havia chão aparente abaixo de si.
Horas e dias, meses e anos. Relógio que não para e a cada momento o peso do seu próprio corpo começava a ferir seus pés. Ventania e tempestade. A corda amolece e depois enrijece. Balança. E o equilíbrio começa a custar muito. 
Ele continua a se equilibrar mas a gravidade parece querer lhe puxar. 
O vento parece querer lhe derrubar. Seu próprio peso cada dia mais pesado começa a afundar sua pele, carne - suas solas dos pés cada vez mais fundo na corda. 
Manter -se ali parece impossível mas, ele se mantinha.
Tudo que ele queria porém ela poder sentir a corda arrebentar de vez ou deixar - se ceder sobre seu peso e cair no esquecimento.
 No silêncio..."




 Tristeza, aflição; é um estado afetivo duradouro caracterizado por um sentimento de insatisfação e acompanhado de uma desvalorização da existência e do real. Essa é a definição do dicionário. Todo ser humano, todo animal passa por momentos de tristeza, de insatisfação e de angustia. É um processo natural da vida, tanto quanto a alegria, o prazer, a dor.
Muitas pessoas acham que ‘estar na bad’, ‘estar amuado’, ‘estar cabisbaixo’ é o mesmo que estar depressivo. Não é.
Depressão é algo além. Constante. Continuo. Um surto de tristeza, seja por alguma perda ou insatisfação, tem seu tempo de duração. Como quando perdemos alguém – seja existencialmente ou metaforicamente – precisamos daquela tristeza do luto para que o nosso corpo e mente entenda, registre e sobreviva aquela mudança brusca. É natural e benéfico.
No entanto, na depressão, ocorre algo mais peculiar. Seja lá o que for que o desencadeia, essa tristeza se torna tão profunda, que o próprio corpo e mente não consegue lidar com ela. O corpo libera processos químicos tais que modificam pensamentos, vontades, processos fisiológicos. Toda a percepção de viver da pessoa se altera num estado que não é mais controlável.

Quando estamos tristes ou chateados, apesar disso, conseguimos ser capazes de executar nossas tarefas e afazeres diários. Talvez com um pouco mais de dificuldade, mas conseguimos. Pois é uma tristeza consciente. E por tanto que conseguimos controlar no âmbito de não deixar que ela nos domine.
Na depressão, não. O indivíduo não consegue mais controlar aquilo. Aquela sensação que toma todo seu ser, tudo que ele conhece na vida.
  

 É como se nada fizesse sentido. E seu lado racional, seu lado comum te levasse a crença de que tudo aquilo é apenas uma onda de mal estar passageira.
Mas, não é.
É mais do que sentir - se incompreendido, é mais do que lágrimas ou desmotivação. É mais do que permanecer apenas deitado nos cantos sem expressão.
É como se houve uma barreira invisível que não se consegue enxergar ou descrever, empurrando e asfixiando a pele, ouvidos, poros e visão. Todo o mundo, desde a estante da sala até o soalho mudam. Desde a privada ao chuveiro. Do céu azul às músicas; perdem o gosto, o deslumbramento, o sentido de antes.
É como estar num rio à deriva, sem saber nadar, sem saber boiar, sem saber a profundidade dele. Sabendo que nada além daquilo que não cessa está na sua mente. No seu Ser. Dentro de você, tomando tudo.

E os outros podem dizer que é questão de vontade de levantar e seguir. Frases e abraços deixam de ter impacto. Como um idioma desconhecido.
As vezes até pedir ajuda se torna impossível pois, o furacão não permite que se saiba como proferir as palavras certas do que se precisa. Você só quer que acabe. Que tudo volte a ser como antes.

Mas, esse antes, também deixa de existir. Como lapsos de memória que vão ruindo conforme você afunda mais e mais dentro ou distante de si.

E nem sempre é continuo.
Não é como uma torrente de água incessante caindo. Não é como uma torneira aberta que nunca fecha.
As vezes à rupturas onde o riso, a "normalidade" parecem retornam. Como se fosse uma luz forte acima de um fundo oceano indistinto. É então que nos agarramos a esses momentos como quem se agarra a um galho seco de árvore na queda de um precipício. E enquanto estamos ali é onde conseguimos rir, conversar, sorrir, falar do cotidiano, das coisas que cada dia mais vão desaparecendo. E isso custa. Um esforço quase físico. Que cansa, que exausta.

Mas o galho é sempre seco e sem aviso, a queda se estabelece de novo. Sem motivo sem razão. E o frio dela se torna mais denso, mais pesado. Porque é como se aquilo que te aprisiona te desse alguns passos de liberdade só pra você descobrir que continua andando dentro daquela prisão.

Você, seu Eu, aquele que você construiu e que sempre existiu vai deixando de existir.
Na sua casa, com seus pais, amigos, amantes. Tudo é mecânico.

Às vezes você se assusta consigo, por que aquela imagem – a do espelho, aquela voz que sai da sua garganta - já não é a que você conhecia de si mesmo.

São como anos sem parar de pensar. Pensamentos sem letras, sem sons, sem formas, sem nada explicável, Você só sente. E estes, te fazem permanecer insone.
Ou nada.
Nada além de um vácuo inexistente, sem absolutamente nenhuma contração se estabelece. Nem de respirar, nem de existir. E então você dorme. Sem sonhos. Ou com pesadelos. Sem monstros ou com eles. Mas todos num ambiente denso que te aglomera como parte de algo aquoso e lamacento que seu próprio corpo te faz entender que não é natural existir. Quando isso corre, o sono, o desligar-se de  tudo aquilo tem uma sensação de confusão. Você perde a perspectiva das horas, dos minutos que se passam. Dos sons ao redor. Não é algo que te descansa. Que te poupa. É apenas mais uma das teias que te envolvem preso em tudo aquilo sem fim.
Pessoas com depressão são pessoas vivas mas, mortas dentro de si. Nem mesmo como zumbis podem ser comparados, pois estes tem seus propósitos. E ainda assim não sabem que estão caminhando por ai.  Apenas estão ali.
Vegetal lacrimoso, grito sem ecoar, fingindo ser sem realmente lembrar como é ser e estar.

Penso que a depressão é como o próprio universo. Você sente sem saber como explicar isso, mas sente, que ele é infindável, escuro, com pequenos e pontuais feixes de luz ou fogo, com pequenas explosões sem sons. Reagindo distantes. Não há em cima ou em baixo. Não há leste ou oeste. Você nem sabe assim, qual o centro e onde você se estabelece naquilo. Você só sente que aquilo simplesmente está ali. Não se sabe como surgiu e quando partirá. Nem se existe algo além daquilo. Pois, tudo antes daquilo para de ser reconhecível.
E com o tempo, você se acostuma com aquilo, não como alguém cego que aprende a caminhar sem luz. Mas, como alguém que só conheceu aquilo a vida toda. Essa é a sensação. Como se fosse Platão sem sair da caverna. E então você desiste de tentar andar. Desiste de tentar caminhar. Pois não sabe onde irá parar. Nem mesmo parar parece satisfatório. Pois o solo não é duro e seguro tampouco. Você se resguarda. Feito feto abortado num saco no canto mais escuro da sala gelada. Apenas esperando o fim.


Porém, não é só de dentro que está sombra lhe ataca, lhe doma, lhe toma, ‘lhe abraça’. Há as cobranças externas, que nem sempre vem em forma de cobrança direta. As pessoas ao seu redor, muitas vezes, não percebem que você está se afogando, pois muitas vezes, você tenta disfarçar esse aterramento. Você tenta a todo custo, não puxar e levar consigo aquelas pessoas que tanto ama junto para essa escuridão. Então você se fecha mais do que a própria angustia já lhe faz fechar-se e isso não é proposital. É inesperado. É instintivo.
Ora você sente que precisa estar perto daquelas pessoas que tanto ama, desabar nelas e compartilhar o peso insustentável de estar naquela corda bamba. Mas, ora você só quer está só. Recluso, como algo indigno e anormal de estar no mesmo lugar que aquelas pessoas sem sombras a lhe compor.

É um paradoxo que só confunde mais e mais o verdadeiro inferno que é permanecer existindo com tudo isso em si.





(Sobre) Vivendo com Depressão




"(Con)Vivendo com uma pessoa deprimida"

"Havia uma corda bamba. Erguida e estendida em tudo aquilo infinito que não se podia ver ou perceber. Era uma imensidão sem fim ou come...

Corda Bamba

"Havia uma corda bamba. Erguida e estendida em tudo aquilo infinito que não se podia ver ou perceber. Era uma imensidão sem fim ou começo aparente. Reta, as vezes torta. E lá estava ele em cima dela. Descalço e se equilibrando de pé.
Não dava para saber a qual altura mas, não havia chão aparente abaixo de si.
Horas e dias, meses e anos. Relógio que não para e a cada momento o peso do seu próprio corpo começava a ferir seus pés. Ventania e tempestade. A corda amolece e depois enrijese. Balança. E o equilíbrio começa a custar muito. 
Ele continua a se equilibrar mas a gravidade parece querer lhe puxar. O vento parece querer lhe derrubar. Seu próprio peso cada dia mais pesado começa a afundar sua pele, carne - suas solas dos pés cada vez mais fundo na corda. Manter -se ali parece impossível mas, ele se mantinha.
Tudo que ele queria porém ela poder sentir a corda arrebentar de vez ou deixar - se ceder sobre seu peso e cair no esquecimento. No silêncio..."

Há dias bons. E há dias ruins. Hoje é um dia ruim. Um dia que cansado demais os pensamentos atormentam mais do que distraem. Noite desper...

Stanislavski

Há dias bons. E há dias ruins. Hoje é um dia ruim.
Um dia que cansado demais os pensamentos atormentam mais do que distraem.
Noite desperto, sem conseguir dormir, ainda que exausto. A dor acumula e martela todo o corpo.
E então o impulso nos faz levantar da cama quente e enfrentar o frio para tentar transmitir em palavras o que atormenta. Nunca tem sido tão duro viver.
Os sons da casa se espaçam, entre o respirar falho, entre um ronco, entre um sussurrar qualquer. La fora, um carro, alguns passos. O soalho parece ranger descompassado também. Os ponteiros do relógios da cozinha parecem um réquiem ruim.
Cada filete de luz que vem pela janela, ou com o gélido vento surge como um pendulo pronto para a hipnose. E as palavras de fato, cuspidas como se quer não surgem.
E então vem pequenas lagrimas teimosas, um nariz que entope pela umidade de emoções e sentimentos que não se quer sentir. Não pode. Não deve. Enlouqueceria. Ou já estaria louco quem sabe.
Passam-se as horas e minutos, a garganta começa a protestar pela friagem. O que importa?
A tontura vai diminuindo e dá lugar a uma queimação incomoda nas paredes do estomago.
Quem dera pudesse dormir sem sonhar e jamais acordar. E que isso não atrapalhasse o curso da Terra em volta. Mas não tinha como ser assim.
Pensando em seus personagens preferidos desde a infância notou que sempre teve uma disposição aos mais sofredores. Não os vitimistas - como passou a odiar tal palavra -, mas aqueles a quem os obstáculos surgiam mias altos, mais maciços, mais duradouros.
Os Miseráveis e Vidas Secas. Victor Hugo e Graciliano Ramos Ramos entenderiam... Amy Winehouse pagaria uma dose num bar com certeza...
Entupido. Essa é a sensação mais próxima. Querer liberar aquilo que esta sujando e atrapalhando.
E Cala, e aguenta, e resiste. E entoa: resiliência. Para todos tudo esta assim.
E pensa e pensa e pensa e pensa. E esconde e esconde e esconde... E de repente se sente idiota por desejar de verdade feito quem espera a fada dos dentes que caem; que pudesse crer que ainda tem sete anos de idade e não vinte anos a mais, para ser resgatado e salvo por um herói de capa, espada, escudo e cedro qualquer dos quadrinhos e desenhos animadas que tanto amava ler e assistir sentado na sala, ou agachado na cama com uma lanterna improvisada tarde da noite. O tempo passou.
O menino que hoje é homem velho demais para aceitar ser, que sempre soube ouvir, já não aguenta mais ouvir.
O garoto contestador que sempre imaginou ser mais que a visão alheia pudesse ver, e hoje já não quer ser mais visto ou ver.
Feito fita cassete, só queria poder rebobinar a própria vida, as próprias magoas e dores, desprender as próprias feridas e evitar as multas de atrasos. Só queria permanecer quem sabe sendo aquela tela verde ou preta do fim das historias que tanto assistia, quieto ao fundo carregando os créditos que sobem ou descem rumo ao final de esquecimento. Fita que acaba. Mas, parece que seu vídeo cassete esta empoeirado. E tudo que cresce ensurdecedor é o chiado cinza da TV sem nada. Um saco.
E amanhã, ou assim que a luz do dia resolver dar as caras, ele vai fingir normalidade. Como sempre. Como deve ser.
Feito o melhor dos atores que nunca recebe seu Oscar, que nunca abandona seu papel. Feito 'Stanislavski' que está pregado no palco sem cortinas para esperar fechar.
Sem aplauso ou vaia. Seguindo ate onde consiga chegar...
Definitivamente hoje é um dos dias ruins.

amor da cabeça aos pés


Brasilia. 7h15m. Chove no asfalto das ruas de Porto Alegre. Vindas do céu de Campinas. Vago perdido entre as geografias do mundo e do seu ...

Ah, Baby... Anywhere

Brasilia. 7h15m. Chove no asfalto das ruas de Porto Alegre. Vindas do céu de Campinas.
Vago perdido entre as geografias do mundo e do seu corpo. Desde sempre. 
Ah, baby...
Pego a caneta, e tento me decidir se escrevo maldizeres ou escárnios.; sempre me confundo.
Seu odor que nunca sinto o cheiro. Essa voz, cujo os tons só ouço por vibratos de algum microfone qualquer... Beijo foto em tela, querendo que seja boca, pele, língua e bater de dentes
Sera que você sente?
Ah, baby...
Coloco no vídeo cassete a adaga da Julieta, querendo mesmo é simular seu cacete entrando em minhas portinholas. 
De dedos sem anel, de fricção sem suor.
Revejo o Romeu tomando o veneno -  ou seria ela, que desperdiça o sabor?
Você foi o mais perto que eu cheguei de morrer... 
Ah, baby...
Sera que você entende?
Você foi o mais perto que eu cheguei de querer
Sera que você mente?
Aborreço cem voltas, só para fingir me acalmar
Madrugadas inteiras pensando: sera?
Faço contas de dias e horas. Simulo olhares.
E rio da bobagem.
Mas então, coloco aquela musica no mp3 fingindo ser vitrola e, quando menos espero, vem a voz na cabeça: ah, baby...
Quero te ver rir no mundo, me enxergar no seu olhar, talvez
Quero que você seja o mais perto que eu consiga chegar de morrer
E se for pra morrer, que seja perto, mesmo em São Paulo; afinal:
 ''You know I came from heavy seas
I know your arms can take me there
Your lips can kill me anywhere''

Ah, baby...


Will Augusto. Tecnologia do Blogger.

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Aquilo Tudo que posta no Facebook e mais tantos mistérios que nem mesmo o espelho ou o mundo dos sonhos foi capaz - ainda - de descobrir.