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Liberdade
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Vontades. Necessidades.
Enxergar o que é
além de si. Sentir que o eu esta ali e lá. Colocar uma mochila nas costas e
partir para ficar inteiro.
Se desvincular do cordão umbilical da vida unilateral e acordar.
Morar perto do mar e do campo, do lago. Sentir a grama e o cheiro
do carvalho e da relva. Tomar banhos de chuva e fechar os olhos, deitado em
direção ao sol.
Escrever canções. Escrever ficções.
Criar um diário cotidiano. Organizar álbuns de fotos do passado
para ajeitar o presente e ver no futuro.
Poder sentar na sarjeta de uma rua sem saída, na calada da noite
ou inicio da manhã sem dar bom dia ou boa noite, sem precisar olhar pro chão ou
estalar os dedos das mãos; e ficar ali, com os olhos parados pensando e
cantando baixinho memórias em formas de canções.
Sair a rua sem conhecer ninguém, sem planos e mesmo assim fazer
check in de algo concluído.
Viajar, conhecer... Perder um dia de frio dormindo ou num banho de
varias horas numa banheira repleta de espuma, ate a água congelar.
Andar e andar... Seguir e ir.
Preencher os espaços por entre as frestas abertas sem medo de
lota-las ou não poder mais esvazia-las.
Chorar de dor e doer-se de tanto chorar de rir. Prender o ar por
alguns segundos ate ficar tonto, fingir sem qualquer um, inventar personagens. Poder
visitar antigas gerações e se encantar e emocionar-se com suas historias de
lutas e safadezas.
Poder dizer um “para sempre” de apenas um dia, e reinventar um
amor de duas semanas em anos sem fim.
Estar pleno e adormecer num parque qualquer com um chiclete no
bolso e dez centavos na carteira.
Acordar e pegar o primeiro ônibus que passar e descer exatos dez
pontos depois; e caminhar rumo a algum deja vu.
Ter historias para contar. Deixar de querer e ser. E ser e querer
estar.
Assim finalmente começar a se encontrar. A respirar
Libertar.


