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"Entre o beijo de 5 minutos atrás e a premonição do fim, pode caber uma vida inteira." E, nessa frase proferida a esmo, numa ...

Descrônético

"Entre o beijo de 5 minutos atrás e a premonição do fim, pode caber uma vida inteira."

E, nessa frase proferida a esmo, numa quinta feira de madrugada diante do espelho, é que eu te vi pela primeira vez.

Olhos curvados sobre ombros atentos.
às vezes, parece que passamos uma vida inteira procurando aquilo, que nem perdemos ou, que nem precisamos de fato encontrar. Mas, que quando surge parece tão certo.
Com a gente não foi assim.
Chovia na cidade de São Paulo e, você sem guarda - chuva, tentava atravessar uma avenida de carros insubordinados. que só queriam encharcar os transeuntes.
Eu, sempre despreparado, nem guarda - chuva me limitei a carregar. Tentava me proteger dos pingos gelados, diante de uma quitanda abandonada - provavelmente -, do outro lado dessa esquina em que te observava tentar atravessar.

O espaço entre seu escorregão, meu riso alto demais e o olhar desconcertado duplo de nós dois, pouco importa pra essa crônica. O caso é que nós viramos caso naquele quitanda sob a chuva torrencial. 
Barba por fazer, mais altura do que os pés pareciam suportar. E eu, com certeza mais velho do que eu achava aparentar e cabelos assentados pingando gel de maneira nada higiênica - assim você me descreveria.
O tempo parece pregar peças naqueles que tentam doma-lo. 

De um ''até logo'', para uma meia volta para passar seu número de telefone, foram cerca de uma hora e meia. Duas horas para eu me arrepender de te pedir. E talvez sete para perceber que você havia me dado o número errado. 'Sem querer', disse você no dia seguinte, no mesmo lugar, sem chuva e sem tombo, sabe-se lá o como que essa vida ou destino, ou única via para o único mercado do bairro, nos reencontramos ali.
Mas o horário. Que poderia ser qualquer horário, ali estava duplo. Para compor nós dois. 
E um número certo, um sorriso, uma piada ruim, um andar mais duro e controlado - imaginando as possibilidade ridículas de alguém que não procura, mas acabara de achar -, depois se seguiu.
Seguiu-se festas, baladas, brigas. A primeira mágoa - Você me magoou. 
A primeira traição sem corpos ou sentimentos - Eu falei e não cumpri.
A terceira dúvida. E a volta diante da tentativa de criar algo que nem sempre sabemos o que é.
O sexo era bom. Nem extraordinário e nem ruim. Bom. Não havia, como na maioria desses casos, nenhuma romantização de cinema ou de literatura.
Havia a cueca rasgada, a unha do dedinho do pé mal cortada. Certa flatulência de madrugada e a incômoda tarefa da primeira ida ao banheiro de manhã. Havia até mesmo as chatices, o aturar ciúmes bobos, e inseguranças sérias, palavras feias e paciências repetidas. Havia tudo que parecia inadequado por não estar no manual de comédias românticas e livros de Jane Austem. Não havia tampouco aquele trama de novela para, podermos inventar alguma trilha sonora. 
No entanto, havia fotos. Muitas fotos e vídeos. Registros maculados tentando externizar esse manual de felicidade perfeita ou de brigas apocalípticas, como manda o script. Para quem quisesse ver, ler e ouvir.
Havia Radiohead e aquela Ana Carolina escondida, só para não dizer que não curtia um nacional. Alguns sertanejos criptografados entre a pasta de pagode antigo e o pop melodramático todos com senha no laptop. Havia tudo o que não devia haver. Mas, havia.
Aliás, havia disparidades. As diferenças políticas. 
Mas, eram nas ideológicas que o respirar fundo imperava. Que o olho ciscava até a boca para tentar remediar um "chega" que nunca chegava de fato.
Porque havia tudo isso. E por essas coisas, tudo na maioria das vezes estava bem. Até mesmo quando não havia nada. Quando havia o nada. Tudo bem.
Então, houve o primeiro 'eu te amo' incerto, seguido de outra chuva gelada.
Não fazia frio de fato, era so uma garoa de verão. Mas, lembro que era outono.. Não há o que entender.
Seguiram - se noites estranhas e manhãs de canseira. E por fim, fim.
Num dia de sol...
É engraçado notar que as vezes, escutamos e lemos canções e histórias de amor e, tentamos a todo custo encontrar algo igual. Um mesmo par, uma mesma música tema, os mesmos trejeitos. Tentamos enxergar um outro alguém para que haja sentido neste que somos por inteiro, num só. Como, parecemos espelhar romances e tragédias, sorrisos e choros, feito um diretor de teatro, tentando exprimir o melhor, o mais intenso daquilo, para sobrepor em sentido de que aquilo é certo. Que aquilo é o que se quer.Engraçado.

Romances estão cheios de encontros e de saltos. De desencontros e fincamentos. De câmeras desfocadas, de narrativas esparsas e linguagens dispersas. De pianos e violinos. Repletos de conquistas e desafios, de resistência e tentativas e dívidas também. Romances estão repletos de poemas, de crônicas com metáforas, de por do sol, e de luz. De corridas e arrependimentos. De hesitações... Está repleto de belos e belas, de diferenças e completas. De decepções e momentos de comercial de coca - cola.
Nosso romance não era assim. Não foi. Não é. Mas esteve também, assim mesmo. Já fomos aqueles do jantar e cinema, do motel e cantinho escondido durante uma reunião de trabalho. Já fomos a rapidinha no banheiro da faculdade e a foto de casal no Facebook, temos que admitir. Admito.

O nosso nós, era de incompletos. De chuva. De tombos e piadas ruins. De café fraco e perda total após uma tequila qualquer. De rock pesado e bossa nova e até algum funk com bunda sendo arrastada no chão da pista nos finais de semana de coragem e disposição com pó branco. 
De guarda - chuvas quebrados, de desejos mal resolvidos. De dúvidas sem resolução e até de distâncias. Era de insônias e horas de sono demais. Era de desemprego e falta de grana, de briga política, de braço quebrado numa queda de escada encerada. De fila de hospital após dengue adquirida e confirmada.
Era feita de esquecimentos. De perdas. Era de caos e turbulência. Era de liberalidade sem sutilezas e, dessas também sem franqueza.
Era de textão e monossilábicas respostas. De prazer sem cócegas e de sorvete um pouco derretido.
Era de chatices. De ingratidão. Era de tudo que existe entre os cinco minutos do beijo de língua que vira selinho, até o "se cuida" do nunca mais um "te quero" proferido
Era de esperas olhando a catraca do metro lotado. De celular descarregado e de hipnóticas visões de tela sms e whatsaap não 'chegado'. Era de preguiça e não to afim. De cada um virando para um lado da cama, com expoentes de sofá e casa da melhor amiga. Era sobre tudo de silêncios e descomunais gritarias.

O nosso nós não tem descrição concreta. Mas possui lembranças. As vezes se confunde entre o que ta aqui e o que já foi. E ate mesmo, talvez, naquilo que nem ainda é.
E mesmo entre esses desalentos esquisitos, entre a razão e a emoção de constelações e signos, e, a cruz invertida em prece e fé, nessa turbulência; é que talvez  seja, e esteja o amor do nosso nós. De nós. 
É diferente. Não é crônica. É descrônético.
Os amores são como arco iris em dias de verão...
Nosso amor é feito tempestade. E é bonito.


Poderia fazer mil analogias aqui, quanto a Marca Negra ter enfim levado  meu eterno Príncipe Mestiço. Poderia inclusive escrever sobre como...

Ao meu Príncipe Mestiço

Poderia fazer mil analogias aqui, quanto a Marca Negra ter enfim levado  meu eterno Príncipe Mestiço.
Poderia inclusive escrever sobre como a representação de um dos personagens mais importantes da minha vida, no cinema, me marcou de tal forma, dentro de sua complexidade e ensinamento,me marcou.
Poderia ainda gastar dígitos explicando por que a perda desse ator é devastadora pro cinema mundial, dado seus personagens e sua carreira brilhante.
Mas, não dá. Uma partida que me pegou de surpresa e que ta pesando sim. Não ha como elaborar nada, alem do silêncio da falta, de alguém que nem se sabia que se tinha tanto apreço.
Mas, como aprendi na obrigação ano passado, e como nos livros também me ensinaram: "Para a mente bem estruturada, a morte é apenas a aventura seguinte.''

Apenas um atravessar pelo véu.

Vai em paz Alan Rickman.
Obrigado pelo legado na Arte. Obrigado por ser o eterno rosto daquele que amou para sempre.
E obrigado por me fazer perceber que há símbolos que nos atingem tão profundamente, que jamais esquecemos.

#Always e #FiniteIncantatem <3 br="" nbsp="">


Texto de homenagem no Cinema Em cena, Por Pablo Villaça também aqui >> 

''"You have your mother's eyes."
Obrigado por tudo, Snape.'' : http://www.cinemaemcena.com.br/Noticia/Ler/3338/alan-rickman-1946-2016

O racismo é enraizado. Não é somente questão de apontar o dedo, chamar de animal, ofender ou excluir. Racismo está inclusive no imagin...

Jout Jout, Caio e o Desprazer do Racismo Que Não Ta Nada Bem.




O racismo é enraizado. Não é somente questão de apontar o dedo, chamar de animal, ofender ou excluir. Racismo está inclusive no imaginário, mesmo daqueles que juram não ser racistas.




O que tem que se entender e que ando lendo na maioria dos comentários em reação ao vídeo, é que todo ser humano que nasça com características consideradas negras (pele escura, nariz largo, lábios volumosos, cabelo volumoso e crespo, e etc), só por nascer, já é institucionalizado a sofrer racismo. Simplesmente por que nossa sociedade patriarcal a hegemonia branca.
Explico de forma 'simples': Se você que se considera pardo, negro, moreno o que for que seja, mas que não seja branco, é visto como à parte da sociedade. Seja pela classe social, seja pela aparência. A partir do momento que quando se referem a você como aquela pessoa morena, aquela pessoa parda, aquele moreninho/moreninha/mulata, isso já é racismo. Racismo comportamental. O simples fato de definirem você com o adjetivo étnico já fala por si só. É importante saber que não é por que isso nunca  incomodou, que não o ofenda, que isso deixe de ser racismo. Inclusive assim como mulheres reproduzem machismo. Negros reproduzem racismo (mas, mulheres nunca serão machistas, assim como negros nunca serão racistas. É afirmação. Nunca.)
O processo de descoberta de identidade demora. por que é difícil aceitar que só por ter nascido, você é automaticamente definido e classificado como algo a parte da maioria. O que no Brasil é inclusive irônico. Sendo que a miscigenação é tamanha, que o 'comum' deveria ser adjetivarmos pessoas brancas e não negras, já que a grande maioria, quase a totalidade tem traços negros, ou realmente são negros. O 'comum' quando imaginássemos Caio, deveria ser já imaginarmos ele negro, afinal, estamos falando de um carioca, onde a predominância são de negros. Mas, a lá o racismo que nos faz enxergar branco sempre.
Quando Caio começou a surgir em fotos e etc - que os fãs alucinados de curiosidade buscavam pela internet/inclusive eu - os comentários eram sempre os mesmos, de que imaginavam o Caio totalmente diferente da realidade. Esse diferente está sobretudo na cor/etnia. Explico: se eu contar uma historia, em que eu oculte a cor do personagem e características como formato do nariz por exemplo, qual etnia vocês imaginariam esse personagem? Algo semelhante ocorreu com a Hermione Granger, personagem dos livros de Harry Potter, em que uma enorme onda de racismo surgiu, simplesmente pelo fato da possibilidade dela ser negra.
O fato, é que somos ensinados a pensar branco. Todo nosso imaginário de ser humano, bem como de pessoas bonitas, ideal de beleza, é direcionado a pessoas brancas. Quando notamos o quanto caio parece ser legal e acabamos idolatrando o cara, mesmo sem ter visto o rosto dele, somos impelidos a imagina-lo como um ser branco. Só pensamos negro, quando nos é direcionado explicitamente para pensar assim.
Sem exceções.
O vídeo que fala por si, e assim não me estendo mais, fala sobre racismo, sobre identidade étnica e sobre colorismo. Ambos Caio sofreu sem saber (e notem, que a palavra/expressão sofrer, não precisa denotar dor ou dificuldade. Simplesmente denota a ação de ser atingido por algo).
O vídeo é ótimo como reflexão e inicio de debate.
Confesso que me preocupei quando ele disse já no incio que não se considerava  negro, mas sim pardo (ate hoje esse Wtf? desse pardo me intriga). Então percebi a lindeza, ainda que sob levante racista, do ato da descoberta identitária dele. Eu passei e estou passando por algo semelhante. Sempre me impuseram que eu me declarasse Pardo. Quando nasci colocaram na minha certidão de nascimento que eu era pardo. Conforme cresci, meus amigos me identificavam como moreno. "O Will, sabe, aquele menino moreno..".

Demorou um tempo ate eu me identificar como o que sou: Negro. Preto.
A questão étnica vai alem da cor. Vai alem da classe social. É característica de ancestralidade, de historia, de existência. É quase como uma identidade de gênero. É a clareza de entender-se como gente perante o mundo.
No vídeo há links para se aprender um pouco o que é colorismo, o que é racismo (inclusive ideológico e comportamental) etc. Já acessei ambos e são massa galera, bora largar preguiça e ler, aprender, se informar, debater, se auto questionar e aprender de uma vez por todas que vitimismo não existe, que racismo é realidade sempre - infelizmente -, que não existe Racismo inverso, que nenhum branco JAMAIS sofreu ou sofrera racismo, que não é que hoje em dia tudo é racismo, que a militância ta chata, é que sempre foi, mas hoje em dia ainda bem, os oprimidos tem direito a voz, e a não se calar mais, a não deixar pra lá. Bora largar de preguiça, para não dar informação errada pros coleguinhas.


Buscar e entender-se leva tempo. tenho 26 anos, e só comecei a me descobrir a um ano. Para uns levam apenas 10/20 anos. Para outros, leva 30/50/ morrem sem descobrir-se. Tudo é desconstrução. Vi abaixo um guri que ainda não chegou no momento de se desconstruir. E galera, tudo bem. Cada um tem seu momento e sua historia pessoal para se identificar como se é. Identidade nunca é e não deve ser imposta.E como disse, quando o assunto é etnia, ela vai alem de biologia. De físico. Ela é identitária. Ela é pessoal,. vem de dentro para fora, ainda que o fora do mundo, as vezes nos arranque ou fure a ponto de atingir aquilo que ha aqui dentro.

Moreno é cor de cabelo. Ou a pessoa é loira ou é morena por exemplo. Mulato é um xingamento. É um termo pejorativo criado a alguns séculos atrás para designar pessoas negras (O significado visa assemelhar pessoas negras de país interraciais como mulas, daí a expressão. Atualmente isso é inaceitável). Quanto ao pardo, ele foi uma designação criada para anular uma etnia miscigenada. Ele tem muito a ver com Colorismo, que é justamente o que ocorre com pessoas que tem características negras, mas tem pele clara, ou que ao contrário, tem pele escura, mas traços finos e retos, que são características de brancos. 
Quando a militância negra diz que se você é classificada como Parda, na realidade você é negra, é por que se entende que o Pardo não visa ser uma nova etnia ou raça como alguns preferem chamar, mas, sim anular uma etnia para higienizar a aceitação do negro na sociedade maioritariamente em ideologias brancas (note o ideologia). 
Resumindo, pardo é o mesmo que dizer a você que apesar de ser menina, por não gostar de boneca Barbie não pode ser considerada mulher (branca) mas também não é homem (negro), então você é parda. (entendem a analogia?)
 É de forma bem rasa e superficial isso. 
O termo pardo nasceu apenas para que se aceite melhor o negro. Afinal como tantos relatos aqui nos comentários tanto de negros como de brancos, pardo é aceitável. 
É bem visto. Quando você se declara negro ou é identificado como negro, toda sua situação social por exemplo muda, porque ser negro é ser à margem da sociedade até hoje. Logo, ou você é branco ou você é negro. 
E quando se há essa mistura de 50% como citou (e isso não existe biologicamente falando, nos links também há essas informações), o que predomina são as características étnicas que possuir. Lembrando mais uma vez, que ser Negro não é apenas questão de tom de pele e de características físicas.
Nisso, é importante salientar também, que essa historia de 'vamos falar de consciência humana", ou de que temos que pregar a igualdade e não características e importâncias e orgulho de 'raças' (o termo mais correto é etnia), é uma balela errônea, pois não se encontra igualdade, antes de se haver justiça e reparação, em busca de equidade e equiparidade. E isso vale para todo e qualquer movimento de minorias históricas oprimidas e/ou segregadas.

No mais, Caio:

Beije-me. Beije-me com teu corpo. Beijei-me com teu prazer. Beije-me com teu impulso e gozo. Beije-me com seus lábios Beije-me, Beije...

Beije - Me

Beije-me.

Beije-me com teu corpo.
Beijei-me com teu prazer.
Beije-me com teu impulso e gozo.
Beije-me com seus lábios

Beije-me, Beije-me.

Beije-me com delicadeza e aspereza
Beije-me com calor e com frieza
Beije-me por um instante ou um longo outono
Mas beije-me.

E beije-me com seu coração.
Beije-me raso e profundamente
Beije-me de lado, de cabeça pra baixo, de costas e de frente
Beije-me na chuva, na rua, em frente ao mercado e no ponto de ônibus.
Beije-me

Beije-me com seu ser mais úmido e doce, ainda que amargo.
Beije-me de surpresa ou de artificio planejado.
Beije-me com seus pudores
Mas beije-me.

E beije-me com a respiração acelerada, mesmo que ela não consiga mais existir
Beije-me de olhos abertos para que eu desvende seus ancestrais nas cores de sua retina
Beije-me. Simplesmente beije-me.

Beije-me sem medo...

Às vezes, o corpo se torna uma prisão.  Prisão de alma.  Prisão de ventre.  Prisão de obrigações.  Prisão de sentimentos.  Gaiola...

PRISÃO de Mim - Série NUanças

Às vezes, o corpo se torna uma prisão. 




Prisão de alma. 
Prisão de ventre. 
Prisão de obrigações. 
Prisão de sentimentos. 
Gaiola dourada que aprisiona o pássaro azul. 
Às vezes, parece que a vida, nos encarcera dentro de nós mesmos. 
Entre mãos e mentes, viramos pugilistas contra algo dentro de nos.
Nus, despidos, Roxos. 
Feito flor morta, despedaçados perdendo o perfume, e no lugar exalando o fedor de estar vivo sem estar de fato.
De round em round, de soco em soco, de mordida em mordida, de corrente em corrente, esperamos a redenção do julgamento que a sobre-vida quer nos fazer encarar. 

Não sei quem é a corte, quem é o juiz. 
Réu confesso ou sem saber de nada, às vezes, parece que somos colocados numa prisão. 

Prisão de mim.




SOBRE O ENSAIO: 

Certa vez escrevi sobre minha teoria de que artistas são antenas. São baterias.
Artistas são seres humanos que vieram à Terra com o dom ou a maldição - ou para fins práticos, habilidade - de serem sensíveis as coisas inexplicáveis, impalpáveis e não formuladas da vida.
Aristas possuem uma espécie de antena que capta frequências soltas nesse plano que chamamos de existência, e quando tomam consciência disso, a transformam através de seu corpo, mãos, mentes, vozes, em algo, que seja palpável aos olhos, aos sentidos, aos ouvidos.
Somos fios que transportam esses mistérios da vida.
Quando o artista não consegue por pra fora, não consegue meio de expressar tudo isso que capta e que sente, ele sufoca. Como uma bateria que vai se enchendo de energia ruim e boa que seja, mas não consegue extrair. Vamos enchendo, enchendo, suportando, sentindo, guardando, ate um ponto que tudo aqui dentro implode.
A maioria dos artistas, por isso, precisam de escapes da realidade para não sucumbirem. O corpo humano comum,precisa de 6 a 8 horas de descanso. Para mente e físico. Artistas não possuem essa possibilidade. Por que o corpo é instrumento, que não deixa de ser usado nunca. Uns chama de fardo, outros de benção. Eu não chamo de nada. Eu apenas aceitei quem eu sou.
Esse escape vem de diferentes formas. Uns investem em amores, outros em prazeres carnais. A maioria no álcool. Nos entorpecentes. Tudo que os faça não sentir, não captar demais. Não racionalizar. Não transmutar isso tudo que transcende. Daí a maioria dos artistas sofrerem de doenças sem cura e de âmbito tão sensível à medicina e a vida, as emoções que se tornam os únicos 'doentes', cujo o único remédio são eles mesmos. (sempre precisando de ajuda quando isso os cabe claro). depressão. Ansiedade. Transtornos mil. Solidão. Antissociabilidade. Alcoolismo. Dependentes Químicos. Estressados. Estranhos.
Eu capto. Eu sensibilizo. Eu sou.
Minha forma de expressar tudo que esta aqui dentro e em volta sempre foi a escrita.
Escrever tudo que perpassa feito lâmina, sempre foi fácil e natural - o exercício, a ação. A formulação, a criação, e principalmente o saber lidar com o que sai da mente, do sensível para o real, pro papel, para a rede, sempre foi mais tenso. Mais doloroso.
As vezes é apenas uma frase. Às vezes uma palavra. Feito parto, dói, cansa. Mas alivia.
No entanto, há duas formas de lidar com isso. Para uns, é escrever para si mesmo. É incindir luz sobre o monstro debaixo da cama, para si mesmo. Ao enxerga-lo, transforma-lo numa coisa normal, sem temores. Sem incômodos. (auto conhecimento). Para outros - e para mim -, apenas iluminar o monstro não adianta. Preciso do olhar do Outro. Preciso da afirmação.
É como se minha antena transmitisse as coisas e eu precise que alguém assista. Caso o contrario, não consigo ver sentido em transmitir algo que nunca jamais verá.
Não me basta tirar a dor. Preciso ver ela, e entende-la ao ver como e se o Outro a enxerga também. A sente também.
No entanto, esse ano tudo mudou. Venho repetindo continuamente que este é o pior ano de toda a minha vida. Dor, perda, dificuldades, mortes, sangramentos, acidentes, medos. Depressão e Ansiedade rondando o que já esta desgastado.
Com isso, mudou também meu instrumento de expressão. Continuo antena, mas sem receptor para transmitir tudo que to afogando, sufocando.
To bateria prestes a implodir.
Isso por que, antes, minhas palavras me libertavam, pois era um pedaço meu que se esvaia por entre os dedos. Um pedaço - impalpável - de quem eu sou, que se tornava real, e assim inofensivo. O que é real se torna matéria, e toda matéria pode ser destruída ou moldada. Tudo que se escreve é parte de quem escreve.
Mas agora, o que anda me matando. Me implodindo, não é empírico. É físico.
Pela primeira vez, não preciso me reconhecer - como lido com as selfies por exemplo, com os textos -, preciso deixar de ser quem eu sou. De quem eu to. De quem eu estou. Aquilo que esta aqui dentro, que a antena esta captando não pode apenas passar. é como se a carga fosse demais para meus fios finos de cobre torcidos.
Não estou mais suportando ser eu - e não é questão de identidade. De ser Ser. É de Estar. -. preciso escapar de mim. Escapar da corrente sanguinia. Da carne, do osso, da medula. Nos nervos, dos Glóbulos brancos e vermelhos. Da massa cinzenta. Da pele.
Assim, pela primeira vez, a unica forma que encontrei e penso, é corpo. Arte corporal.
As letras não são suficientes no meu hoje. E agora, quanto a isso, tudo bem.
Mas, como escapar do próprio corpo?
Quando a prisão é você mesmo, como lidar? Como expurgar? Como aliviar?
Há artistas que encontraram a resposta. Mas a definitiva. Pra mim, nada fechado serve. Sou mutável, minha arte precisa também ser.
Assim, nu. O estar, prostrar-se, apresentar-se, colocar-se nu. Exposição.
Aquilo que mais causa fragilidade nos humanos, que mais assusta, que mais constrange. Aquilo que mais preciso me livrar. Não posso desaparecer, me livrar do corpo. Então o exponho. Subverto o demônio. Feito veneno de cobra. Pego o próprio veneno para produzir a cura.

Sobre isso que trata 'NUanças'. É expor aquilo que me machuca. Expor a fragilidade insegura, para adquirir segurança. Segurança aos olhos do Outro.
Expor para deixar de ser.
Quando não se preserva, se deixa de ser.
Ando precisando deixar....

#ensaio2pontozero #nakedart #art #contraluz #prisaodemim #nuanças










Retrata.  Se retrata.  Não tem culpa.  Culpado.  Tato.  Tateia  pela porta.  Auto.  Retra.  Sem regra.  Retrátil. A ...

Porta Retrato.

Retrata. 
Se retrata. 
Não tem culpa. 
Culpado. 
Tato. 
Tateia 
pela porta. 
Auto. 
Retra. 
Sem regra. 

Retrátil.
A ata. 

Trata. 
Ata.
Reta.
E retrata. 
Tratando...

"Todas as palavras, sem sentido algum Pegue o dicionário Chega de zum zum zum Zíngaro, Zás, zarpar Onde posso encontrar Pal...


"Todas as palavras, sem sentido algum
Pegue o dicionário
Chega de zum zum zum
Zíngaro, Zás, zarpar
Onde posso encontrar
Palavras paralelas que possam me salvar?"

"Abro os poros.  Choro com o corpo.  Limpa o que suja e  fede e  mancha  e dói.  Seca.  E recomeça mais uma  vez......

"Abro os poros. 
Choro com o corpo. 
Limpa o que suja e 
fede e 
mancha 
e dói. 
Seca.
 E recomeça mais uma 
vez..."

Ruídos.  É madrugada.  Mais uma. Uma mais de tantas outras, tantas essas. As madrugadas nunca são feitas de silêncios de fato. Nunca são ...

Ruidos

Ruídos. 
É madrugada. 
Mais uma.
Uma mais de tantas outras, tantas essas.

As madrugadas nunca são feitas de silêncios de fato. Nunca são feitas de solidão. 
Ainda que sozinho, companhia: os ruídos.

Pelo reflexo da madeira no batente na cama, a face ganha ares de terror. Só impressão. Ilusão.
Clica e tica tempo após tempo. E nada de sono. Ou na verdade, tudo dele. Todo ele, mas sem te-lo. Nada.
Insônia, nome que não comporta o que significa. Que não encerra o que mantém começado. Outra madrugada à espera.
Uma conversa, um desejo, uma expectativa, uma irritação, uma teoria, um talvez, uma possibilidade, um 'dê', um 'se'. Uma frustração, um punho fechado, uma ansiedade seguida de o que ta acontecendo por ali (?).


Reflexo e ilusão. Tudo questão de perspectiva e disposição - diriam uns: exposição; talvez -.
Saber não ser e, mesmo assim, ser o que quer que seja, ser. 

Jogo de palavras assim. Flerta. 
Merda!
Tudo como ruídos. Não é barulho, não e som. Mas, não é silêncio. Não é vácuo.
É ruído. Fissura que não é corte e não é intacto.
É coisa de morno. Que por aqui no cinza é quente e no verde é morno somente. Talvez frio, kapaz.
E espera. 


Retorce para não admitir torcer, que seja pomba branca e não abutre
Que seja 'algo' e não 'apenas'.


Espera, por que atrasou para deixar ir, e mesmo sem perceber foi, e logo chegou. E de janela em janela, de até em até, aposta no ponto e vírgula e astéricos, para contrapor o abraço exclamado.
Quem sabe... 


Quem sabe realmente seja uma fissura morna repleta de ruídos.
Ou quem sabe, seja um buraco fundo, um corte fervente de cantos e silêncios alternados. Mas que não afunde, apenas comporte.


Dentre todos os ruídos, dentre todas as esperas, quem sabe um ponto e vírgula cheio de asteriscos... Quem sabe...


;**

Quem sabe sou eu que escondi desejos debaixo de algum colchão Quem sabe fui eu que perdeu esperas em algum relógio de parede. Quem sabe fui ...

Quem sabe sou eu que escondi desejos debaixo de algum colchão
Quem sabe fui eu que perdeu esperas em algum relógio de parede.
Quem sabe fui eu que inventou e não deixou existir.
Quem sabe eu não mordi os lábios e fiz sangrar.
Quem sabe não sou eu que fui medo que te fez tremer.
Quem sabe não fui eu que penei um julgamento ganho.
Quem sabe não foi eu que gritei. Quem calou.
Que sabe, não foi eu...
Will Augusto. Tecnologia do Blogger.

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Aquilo Tudo que posta no Facebook e mais tantos mistérios que nem mesmo o espelho ou o mundo dos sonhos foi capaz - ainda - de descobrir.