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"Ah, desgraça inerente à raça!          o grito torturante da morte               e o golpe que atinge a veia,          o sangramento i...

Epílogos

"Ah, desgraça inerente à raça!
         o grito torturante da morte
              e o golpe que atinge a veia,
         o sangramento inestancável, a dor,
    a maldição insuportável.

Mas há uma cura dentro
        e não fora de casa, não
            vinda de outros mas deles próprios
        por sua disputa sangrenta. Apelamos a vós,
  deuses da sombria terra.

Ouvi bem-aventurados poderes soterrâneos - 
         atendei o nosso apelo, socorrei-nos
   Favorecei os filhos, dai-lhes a vitória."*

 

"A Morte é apenas uma travessia do mundo, tal como os amigos que atravessam o mar e permanecem vivos uns nos outros. Porque sentem necessidade de estar presentes, para amar e viver o que é onipresente. Nesse espelho divino vêem-se face a face; e sua conversa é livre e pura. Este é o consolo dos amigos e embora se diga que morrem, sua amizade e convívio estão, no melhor sentido, sempre, sempre presentes, porque são imortais."*
(...)
"Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." 
                              "Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte."**
(...)

"Que eu abandono meu lugar
Rasgando as veias,
Derramando meu amor
Pelas areias.
Anuncia um lindo Sol Radiante:
A última alvorada em teu semblante,
E na perfeição de um céu sem sombras
A gente vai se encontrar.
E das tripas, coração… mais uma tarde
Pra levar o meu amor pra eternidade.
Meu amigo, por favor me aguarde,
que a gente vai se (re) encontrar."***
(...)
"E mesmo quando eu não mais estiver,
Lembre que me ouviu dizer
O quanto me importei e o que eu senti
Agora, Só agora
Talvez você perceba:
                             Que eu nunca vou deixa-lo ir..."****

Onde o mar se apresenta calmo, 
na verdade é onde se esconde a maior tempestade.
Entenda, não é uma fuga - disse ele - é uma retirada.
Não é uma partida - entre lagrimas ele suspirou 
- é apenas um despedida.



*Epígrafe do livro Harry Potter e as Relíquias da Morte( na ordem, um poema de Ésquilo, ''As coéforas''// e um trecho de William Penn, ''More Fruits of Solitude'')
** Frases bíblicas presentes no ''Harry Potter e as Relíquias da Morte'', da autora J.K. Rowling.
*** trecho de ''Das Tripas, Coração'' composta por Lobão (mesmo ele sendo um cochinha sem noção, a musica não tem culpa disso).
**** trecho de ''Só Agora'' composta por Pitty.

"Sou semente que cai na terra, Brota, Floresce, E vai embora" -     Heloisa Vazquez Parte desse escrito aci...

Da Maneira Que For


"Sou semente que cai na terra,
Brota,
Floresce,
E vai embora" -  





Parte desse escrito acima, de uma querida amiga, me fez refletir sobre ser e permanecer.
Porque cheguei a conclusão, que sou uma série de mudanças.
Algumas pessoas quando enfrentam dificuldades, fazem escolhas. 
Umas preferem continuar a enfrentar - cair ou vencer - mas, permanecendo ali, lutando. Defendo-se de sí mesmo para continuar a ser quem se é. 
Isso é casar com a Coragem.
Outras, escolhem fugir. Esquecer ou desistir. Também não é uma escolha fácil. 
Mas, o peso da cruz sempre é particular para cada um que a carrega.
Isso é Aceitação.
Já eu, quando frustro, fujo de mim. E nem é só no sentido de entorpecer-me não. 
É no sentido literal de deixar de ser. Nunca é sem intensidade e nunca é a escolha fácil.
Sinto tudo. De mim e dos Outros. Mas, quando frustro por algum motivo não consigo casar com a coragem. Pelo contrário. Quando frustro, amedronto, caio, deixo e fujo. 
Nessa fuga, muto. 
Mutação.
Pois tampouco Aceito.
Mudo. 

A essência permanece aqui. A estranheza. Porém, muto totalmente. 
Como se mudando externamente pro Outro, isso me fizesse mudar por dentro. 
As vezes, nem sempre.
Só que depois, preciso voltar. Por que não consigo deixar nada totalmente. 
Sou uma mutação acumuladora.
Por sentir tudo, guardo tudo.
Depois volto àquilo que fugi. só pra observar o que passou. Que seja lá o que foi, foi.
Daí posso relembrar aquilo que fui, resgatar o que deixei ao fugir e somar com o que me tornei. Isso é Resiliência pra mim.
É como se eu transformasse minhas dores em panoramas. 
Preciso me afastar para enxergar e compreender o que está acontecendo. 
Não me cabem planos fechados ou grandes angulações. 
Nem tampouco planos abertos. Preciso da panorâmica. 
E nem sempre ela está pronta para ocorrer em todos os graus necessários para cobrir a extensão de cada cicatriz.
É estranho. 
Mas coragem não acho que eu tenha. Acho que tenho força. No sentido de aguentar e tentar de novo e seguir.
Umas pessoas ao se machucarem preferem limpar a ferida imediatamente para não infeccionar. Outras, preferem se anestesiar, para não sentir. 
Outras tantas, preferem amputar a ferida para não lidar com mais nada.
Eu prefiro deixar ela doer. Sangrar e escorrer, mas não encara-la. Deixa-la ser sem observar. 
Me afastar dela e deixar ela cicatrizar como deve ser. E só depois que o formigamento chegar, olha-la. Observa-la e em alguns casos, reabri-la. Só para conseguir costura-la por mim mesmo depois ao fecha-la novamente.
Mas isso tem muito haver com a depressão, desistências e pesos. Acho. 
Há fases que quero deixar de ser o que sou. E fases que não. 
Depende de quem sou naquele momento.
O problema ocorre quando não sei quem sou em cada fase.

No entanto, seja o que for, sei que brotei.
E da maneira que seja o florescer ou o desfolhamento, sei que a certeza de ir embora me dá a bússola necessária para saber, que sim, sempre vou, mas um dia volto. 
Seja da maneira que for...

Como pode nos dar algo como o amor, de forma tão natural e rápida, e tornar isso tão breve? Perda. Sempre foi minha maior dificuldade. P...

luto

Como pode nos dar algo como o amor, de forma tão natural e rápida, e tornar isso tão breve?

Perda. Sempre foi minha maior dificuldade. Perder, deixar, abrir mão, dizer adeus. Nunca soube lidar com isso. Nunca...

Hoje. Terça-Feira. Mês de maio. Mês das mães. Mês em que nasceu meu único irmão. Mais novo que eu.
Eu, sozinho em casa. Três horas da madrugada. Madrugada de frio. Ironia. Amo tanto o frio e hoje, o odeio por ser e estar.
Ódio e raiva. Incompreensão. Sensação e precisar correr, fugir e nunca mais voltar ou olhar pra trás, mas, sem saber como dar se quer um passo em direção a esse lugar nenhum.
O carrinho de passeio, nunca usado, ainda no plástico, empoeirando ligeiramente em cima do guarda-roupa...
Partiu...
A única foto em papel revelada, ainda sem  moldura, estática, dentro de uma taça de cristal sem uso...
Partiu...

A mochila rosa e roxa, destoando entre o emaranhado azul da parede fria, cheia de fraldas, umas pra serem lavadas outras descartáveis para serem usadas...
Partiu...
As fotos ainda salvas no celular, as selfies, os flagras, videos...
Partiu...
A cama, minha cama, com o mesmo lençol da semana passada, ainda com aquele cheiro suave e doce, já perdendo intensidade...
Partiu...
A sombra da mãozinha pequena, rosada e macia, menor que uma caneta, segurando em punho firme meu dedo indicador...
Partiu...

Mas ficou lágrimas, um choro de compulsão desesperado, queimante, lentas e que jorram em profusão. Um choro sem real compreensão, repleto de porque? Por que? Porque??

E o relógio pára por um instante, a mente volta no tempo, à duas horas atrás...:

O telefone toca, as luzes do celular se acendem, minha mãe surge trombando na quina da estante, retira o fone do gancho... Chora, treme e perde os sentidos. Do fone caído, gritos soam mesclados a um choro desesperado, sem palavras - não precisava -, meu pai surge, com as mãos segurando firme a imagem de uma santa, resmungando baixo - " eu pedi e rezei tanto... Tanto..."-, e do meu lado, meu irmão, meu pequeno irmão, ainda dorme de exaustão.
No eco que ribomba ao redor, só consigo escutar suas palavras repetidas ate o adormecer mais cedo... - "o pior já passou... A minha pequena jaja sai dessa.. " -. Ele acorda. Entende... E o planeta, meu planeta, deixa de fazer sentido diante daquilo ganido de dor e desamparo daquele que vi nascer, que conheci ainda no ventre de nossa mãe.
Ele gania, e a dor soava em mim....- "Mãe, você sabe o que é isso?" - ele tentava questionar, enquanto o abraçava, junto da nossa mãe...

O tempo atual volta. Três e trita e dois da madrugada.
Sem sobrinha. Sem afilhada. Sem neta. Sem filha. Sem Ana Carolina. Sem nada, nesse tudo que sobra, sufoca e não sei porque...
Não. Eu não sei lidar... Não sei...
Não. Sei. Não. Não. Não sei...

É impressionante como São Paulo me comporta Seu cinza suas curvas sua estrutura sua frieza e prensa. Sua raiz seu gênio e orgulho seu desam...

Sampa Ampa Pa

É impressionante como São Paulo me comporta
Seu cinza suas curvas sua estrutura sua frieza e prensa. Sua raiz seu gênio e orgulho seu desamor e paixão. Aos diversidade e perigo. Sua incapacidade de descansar ou parar. Sua falta de sono e preguiça. Seu caos em pedras e prédios.
Feito selva realmente aqui se caça ou é caçado. Aqui se mata ou é matado. Aqui se chora ou se grita. O silêncio aqui não ecoa.
As nuvens aqui são mais densas. O céu aqui é mais longe. A noite é menos estrelada mas ha mais luz.
Essa cidade me comporta por completo. É o lugar que mais me sufoca e odeio. É o lugar que mais entendo amo venero e respeito.
É onde meus sonhos são pesadelos e onde meus passos viram vôos repletos de tráfegos.
Vários tons apagados que a rodeiam sem permitir esquecimento.
É a cidade que parece comportar tido que existe de sintético e morte. Mas que transborda vida e organismos.
É uma odisseia épica sem fim ou heróis.
Uma arena de guerreiros e bárbaros sob o rígido de seu próprio leão e minotauro.
É meu espelho onde tudo reflete num emaranhado sem fim...

É que na real, eu não quero conto de fadas, apesar de projetar um sempre que o vejo. Eu só quero fim de tarde com conhaque e por do sol. Fin...

só um cavalo de fogo...

É que na real, eu não quero conto de fadas, apesar de projetar um sempre que o vejo. Eu só quero fim de tarde com conhaque e por do sol. Final de semana de papo cabeça e de cotovelo ao som de alguma garageira qualquer ou o velho jazz. Quero somente carinho na orelha enquanto rimos de um filme bobo... Quero enroscar meus dedos e ali perde-los em sua nuca e cabelos... Quero poder querer sem hesitação de devo ou não.
Não quero exclusividade, quero participação. Quero coragem e medo na mesma proporção. Quero seu chupar, seu calor áspero, seu cuidado sem perceber. Quero ate o seu ódio de descontrair e redobrar o querer. Quero silencio de sorriso psicótico. Quero toca-lo e o deixar-me o ser também. Quero beijos e pré's mesmo que nunca haja a pós. Quero estar junto sem rótulo ou nomeações.
Quero segredo que só um olhar revele a dois. Quero noitadas e manhãs... E ate madrugadas e tardes a três, cinco... - me chama quem sabe eu não vou...-.
Quero confiança em não saber no que dará. Queto planar ainda que não haja um voar.
Quero poder, ainda que não possa de fato estar.
Quero reticências sem vírgulas, quero do meu modo apaixonar.
É isso. Simplesmente quero tentar...

""Um maremoto atrás do outro", como disse a canção. Mas, quando a gente passa por isso, sobra a cicatriz e a fortaleza. ...

Sou Insistente.

""Um maremoto atrás do outro", como disse a canção. Mas, quando a gente passa por isso, sobra a cicatriz e a fortaleza. "" 

Essa citação me fez pensar em todo um ano de transformações e escolhas. Em todo um ano de perdas e ganhos e decisões absolutas e definitivas – por hora – que a vida me presenteou e sentenciou.
Dois mil e treze foi um ano estranho para mim. Não foi de todo ruim, mas foi estranho. Foi um ano, que pela primeira vez, comecei a de fato me reconhecer como individuo. Que me desfiz de laços que não me uniam, mas só me sufocavam e apertavam. Um ano, em que a insegurança de Ser, deu vazão a segurança de me colocar a Ser de fato. Sem copias ou escaneamentos.

Assim, Dois mil e catorze, se mostrou resiliente, em toda sua vasta gama de mostrar que sim, eu existo além de mim mesmo.

E tenho andado pelas ruas turvas, consciente de que sou plural, e que todo o vento que me atinge, só irá me trazer frio ou refrescância, dependendo do que eu decidir querer experimentar.

Parece balela de excalibur, de auto-ajuda feito O segredo ou ainda, ramificações de mitologias a lá Fênix renascida. Frases de Facebook... Mas é um fato.

Pela primeira vez desde que me reconheço como Will, tenho plena segurança de ser quem eu sou. Sem medos de julgamentos, sem medos de caças, sem medos de olhares e dedos apontando. Pela primeira vez, vi que a altura e estar de pé são melhor para mim do que permanecer deitado e escondido.
Permaneço em minhas sombras, mas finalmente perdi a fotofobia pela luz da vida.
Hoje, me assumo a mim, tal qual a imagem que o espelho e a câmera fotográfica me mostram. Assumo as espinhas, as costas curvas, os ossos a mostra, a pele escura, as limitações orgânicas, a saúde frágil, as mudanças de humor e as fortalezas provenientes de tudo isso, sem rancor. Mas também sem ‘deixar para lá’.

Ando e caminho de acordo com minhas vontades, fazendo tudo aquilo que quero fazer. Me arrependendo quando perceber que devo arrependimentos e usando eles para testar de novo, falhar se for o caso, crescer, caminhar, construir um novo caminho sem esperar que surja um pronto pela frente ou pelos lados.
Deixei de ser o que segue e o que acompanha. Hoje, sou o que chamo a galera para caminhar junto, se assim ‘essas’ quiserem e puderem.

Hoje enxergo cada vez mais a beleza que meus olhos castanhos possuem, sem autoafirmação, mas com confirmação.
O sexo, a opinião, a relação. Ate as dores que nunca se escassa – e ainda bem – estão mais doidas, mais latentes, mais sangrentas. Mas aprendi a saborear o gosto desse sangue, dessa casca que cai. Entorpecer pela dor, e não pela escassez dela. Morfina já não me serve. Quero sentir.

Meu passo esta largo e longo, refletindo e decorando cada cicatriz deixada pelo caminho.
Se o maremoto retorna, não vou correr ou fugir. É só tirar a roupa para não encharca-la e me preparar para dar um mergulho ate o fundo desse oceano. Abraçar seu caos, sua escuridão e mistério; e de lá, sair fortalecendo os músculos e a respiração calma pelo nado, levantando na margem, sem auxilio de barco ou porto, me secando ao novo sol que se apresentar quente – ou frio.
Ainda sou eu mesmo, mas com se antes eu clamava por unilateralidade, hoje me entrego por escolha a Pluralidade.

Ou melhor; não, o ‘ainda’  não cabe nessa nova equação; afinal, se antes o ensaio era apenas uma projeção do que eu tentava e imagina ser, hoje, a estreia e execução, é tudo e simplesmente aquilo que realmente sou; e que esta nascendo entre choro, grito e curiosidade pro mundo.

"Nós todos estamos na beira de um penhasco.

Todo o tempo, todos os dias.
Um penhasco que todos iremos pular.
Mas nossa escolha não é sobre isso.
A escolha é se queremos ir a força e gritando
Ou se queremos abrir nossos olhos e corações
para ver o que acontece enquanto caímos.

Pode parecer que não há diferença, 
mas é justamente nisso, que reside toda a diferença do mundo.”


Faz um tempo já que me sinto acuado, exasperado, apreensivo, incomodado, bravo, com raiva, desesperado, insone, tremulo e desamparado. Ma...

Caos em Terror e Medo

Faz um tempo já que me sinto acuado, exasperado, apreensivo, incomodado, bravo, com raiva, desesperado, insone, tremulo e desamparado.
Mas vou voltar um pouco no tempo.



Há alguns anos, percebi que era na arte que estava minha essência, minha priori de espírito. Era na arte que eu via tudo aquilo que minha alma precisava transbordar, mas não sabia como. Era nas letras e melodias musicais, nas pinturas e grafites pela cidade, nos livros e textos de poesia, nas danças que expressavam além-carne criticas sociais e sentimentais. Diante disso, encontrei no Cinema, sétima arte considerada por mim assim, por ser a única a reunir todas as seis anteriores numa só e assim se tornar a sétima; a síntese de onde eu encontraria paz em meu caos diário. Onde eu conseguiria me enxergar ao transpor em imagens tudo aquilo que minha mente, coração e essência de vida martelavam diariamente assim que eu despertava do meu travesseiro.

Assim, movi meus mundos para conseguir adentrar esse mundo, estudar, absorver conhecimento, absorver vivencia absorver e viver desafios dentro dela para me encontrar.
Cinco anos depois, e me sinto mais perdido do que quando entrei.
Não me entendam mal, aqui, meu desabafo não é ao Cinema – arte ou indústria – nem mesmo a vida tampouco em primeira estância.

Vejam. Após assistir a um documentário chamado The Square que relata a luta do povo egípcio em busca de liberdade e direitos humanos, contra a opressão política, fascista, religiosa instalada em seu país; senti-me apático com a vida, num átimo de desespero que me levou as lagrimas e a cinematográfica cena- quem diria ironicamente – de levar os braços ao redor das pernas, chorando profusamente por um futuro onde não existo.

Explico.

A mais de dois anos, vejo minha realidade ser tomada pelos chamados ‘cidadãos de bem’ que culminam seus ideais e filosofias muitas vezes amparados na religião fascista que ao invés de pregar ou disseminar o sacrifício de seu ‘deus’ na cruz, disseminam justamente as ideias e ideologias daqueles que o pregaram e açoitaram.

Vivo num mundo que goza do status de ser globalizado, de ser evoluído, onde cada dia mais há a liberdade de expressão vigorando, o direito de opinar e saber, mundo afora, mas que retrograda tudo isso, diante de atitudes medievais, anacrônicas e extremamente brutais contra seres humanos e seres vivos da TERRA.
É uma sucessão de alienação e brutalidade defendida e justificada que sinceramente não consigo compreender, atualmente como pode ser possível ser aceita e disseminada.
São casos de torturas a minorias, são ataques a homossexuais, condenação de estupro coletivo à mulheres, são seres humanos de pele escura sendo discriminados por tons cromáticos, são casos de assassinato, espancamentos, desaparecimento, humilhação, descaso... Tudo isso amparado por uma parcela da sociedade global que não veem nada de absurdo nisso – ‘somos cidadãos de bem’ eles dizem.
São leis e mandatos que apoiam um extermínio em massa de cidadãos que só querem o direito que lhes competem por existir: viver.
São fascistas discriminadores e preconceituosos intolerantes que ditam, ferem e propagam suas ideologias, presidindo cargos que deveriam servir para representar os Direitos Humanos da população. DIREITOS. HUMANOS.

São mazelas políticas e militares que a cada dia mais se aproximam de golpes e transformações  políticas e civis que prometem instaurar caça ‘as bruxas’ nos próximos anos – e notem que o termo bruxaria aqui usada tende significar ‘diferença as normas padrões’.

Assim, eu, negro, Gay, pobre, filho de mãe – mulher – negra, pobre, que nasceu e vive nas periferias da cidade, bolsista de uma universidade de elite internacional, em síntese, um homem carregado na pele e na essência de vida que tem por minorias discriminadas, e caçadas, pelo simples fato de ter nascido e continuar a respirar, me sinto sufocado.
Feito peixe fora d ‘água. Incapaz de respirar. Saturado de cansaço e desespero, num país e planeta, onde a sociedade não me permite sobreviver e menos ainda viver como cidadão que sou.
Sinto-me desesperado, num mundo que não me respeita como ser humano, que dia após dia, forma um alicerce de muros, paredões e rochas que visam me massacrar, me exterminar.
Vivo a cada dia que passa com medo, medo de estar vivendo na pele, na consciência o que meus ancestrais negros viveram. A diferença é que não querem mais me dominar. Usar-me. Abusar-me. Querem me caçar, tornar valida a caça e me sacrificar em nome de suas convicções que vão contra a vida, contra o respeito, contra a bondade, contra tudo aquilo que em síntese deveria significar ser humano. Sobre tudo aquilo que deveria nos diferenciar dos outros seres vivos.

Sim, a anos adotei ideologias que veem de letras e pensamentos como ‘O homem é o lobo do homem’, ‘Alguns caem por terra para outros poderem crescer’, ‘O importante é ser você, mesmo que seja estranho ou bizarro’. Sim, adotei tais ideologias que pra mim, são o resumo do que é ser um cidadão verdadeiramente do bem – ‘do ‘e não ‘de’ – que me ensinou que tenho o direito de exigir meu direito de ser quem sou de ser quem nasci de ser quem minha consciência de mundo me diz que sou. Não o que os olhos de fora ditam. Que me ensinou que o sistema é frágil, e que dia após dia estamos numa selva – de pedra, concreto, aço, virtual – mas que ainda assim é selva, e que a cada dia preciso lutar para sobreviver.

Mas nada disso me preparou para essa realidade exasperante sem empatia, sem coerência, onde um homem, uma mulher é morta, espancado e julgado por ser como é.
Onde negam direitos de vida para tais seres humanos exercerem sua essência de amar e compartilhar amor.
Onde não há espaço para riso, somente para dor.

Me sinto desamparado, projetando um futuro onde daqui cinco ou dez anos – talvez menos – voltem os ditadores, voltem o ode, onde qualquer violência é justificável, onde eu me vejo cochilando repleto de cicatrizes em buracos nos esgotos, nos subúrbios sem identidade, sem direitos reconhecidos, fugitivo de uma resistência que se nega a admitir um retrocesso calcado em ódio e separação.

De fato, tenho sonhos e pesadelos, onde corro, fujo e tento resistir e ajudar a humanos espancados simplesmente por assumirem que são negros, que são pobres, que são gays, lesbicas, transgênicos, que são diferentes talvez na aparência, no jeito de ser, mas que no fundo assustam mesmo por no final das contas serem iguais, numa igualdade que uma crescente dia a dia maioria não quer aceitar ou se ver nela.
Sinto-me um Mutante. Em meio a Xavier’s e magnetos. E ainda assim um estranho entre eles talvez eu seja um Mutante de fator desconhecido, pois não acredito do ‘olho por olho, dente por dente’, e também não acredito mais no ‘esconder-se, não sentir, demonstrar para ninguém saber’.
Não. Eu não quero mais apenas sobreviver. Eu quero existir.
Eu quero respaldo, da minha arte, a arte que citei que deveria me mostrar vida, mas parece estar estagnada.
Vi em The Square, seu povo lutando e exercendo, mantendo viva a arte mutável, registrando nas cores, pinturas, desenhos, rabiscos, textos, vozes e imagens, musica e sons, sua historia.
Mas aqui, a minha volta não. Vejo textos sim, mas onde esta o cinema? Meu cinema que me deu esperança e promessa de ‘lar’ exercendo seu papel?
Outro dia na faculdade, foi explicado a mim que eu, prestes a embarcar em meu TCC, deveria escolher temas que não causem polemica que não causem divergências, pois estes não são bem vistos ou aceitos. 

Não passam.

Vi isso como uma síntese do que vivo, onde tentar fazer o correto em prol da humanidade é visto hoje como ‘politicamente incorreto’, onde o que vale é cuidar do próprio nariz, cobrir o umbigo e esporadicamente jogar uma moeda pro alto para poder dormir bem.
Sinto-me desamparado. Em desabafo; como este; sinto-me perdido. Angustiado.
Não consigo conter as lagrimas de medo, de pavor em constatar que dia após dia, hora após hora, a cada segundo gasto escrevendo essas linhas, o mundo lá fora se fecha pra mim e pros meus- minorias – que tentam apenas existir em consciência diante do caos de terror que se estende no amanhecer.
Sombras disfarçadas de luz e morte disfarçada em flores e arco Iris.

To com medo. To com medo. E não sei pra quem pedir ajuda.

To com medo. Com medo.


'Quem viu o vento? Eu não vi e você também não. Mas quando as folhas estão quase caindo do Outono ao Inverno... É porque o vento esta...

Venta vento vindo


'Quem viu o vento? Eu não vi e você também não. Mas quando as folhas estão quase caindo do Outono ao Inverno... É porque o vento esta passando. E isso se sente.

Nas folhas de papel, onde rabisco sentimentos, onde escrevo desejos, onde dobro sonhos refaço nós dois, mutando aquilo que foi original, antes de tudo virar brisa...


Que o vento carregue essas asas de papel até você. E que assim, a brisa se torne tormenta e tempestade, onde nos encontremos sentindo, ainda que não possamos nos ver.’

E os vagalumes voam pela caverna... Em meio à escuridão, um mar de estrelas vivas piscando à luz da esperança e dos sonhos diante e ao redo...

Túmulo dos Vagalumes

E os vagalumes voam pela caverna... Em meio à escuridão, um mar de estrelas vivas piscando à luz da esperança e dos sonhos diante e ao redor.

Mas a madrugada vem, e com ela, as luzes de fogo do verdadeiro céu sem estrelas e de nuvens negras, apagam a luz da caverna.


Sem pisca, sem vagalumes, sem esperança ou sonhos... Somente as lembranças dos ecos daqueles que vagam para eternidade de riso, afeto e balas de frutas numa imensidão particular de vagalumes imortais.

Tenho medo do que não posso caber. E receio de tudo aquilo onde posso transbordar. "...dos amores que se perdem pelas palavras não...

Deslizando sobre mim

Tenho medo do que não posso caber.
E receio de tudo aquilo onde posso transbordar.
"...dos amores que se perdem pelas palavras não ditas"

E as gritadas, rugidas em cada olhar desviado às paredes e ao vento sem realmente enxergar.
Evitar ao invés de enfrentar para não cair pelo murro e somente pelo cansaço; sem saber que pro roxo há cura, mas para o pálido não há.
É que não dá para me encontrar onde constantemente vivo a me perder.

Você me mostrou um mundo que gira em torno de nada. Um par de dias sem estação, com climas entre o suor e o arrepio. Onde minhas vontades de mãos se chocando apertadas e molhadas revelam tão mais sobre coração disparado e desejo por desejo do que sobre espera e aborrecimento.

É que pela fresta da janela o feixe de luz que entra, ilumina apenas meu rosto e não a marca do pescoço que nem deveria estar aqui.
O que marca a alma não marca pele, por que não precisa.

E que em outros braços eu resolvo minhas crises
Mas, em outras bocas não consigo esquecer
É assim; Sobrevivendo enquanto passo e corro os dias sem reinventar você.
Você que não me cabe, Você que não me seca
Você que não me molha, você que não transborda
Você de quem eu fujo, corro, escondo, esqueço
Camuflo, afogo, invento e recrio apenas para tons líricos.

É que nada me cabe, tudo vem e passa,
Tudo, ainda que fique, vaza
Sou copo com água turva, com buracos demais para se tampar.
Me engole de um gole só, me abusa não me usa, ou vice e versa

E é ai onde talvez me faça vinho, me transformando dentro de você
Remendando meus cacos, meus buracos, onde você me comporte ainda que não caiba.

Meus espaços são unilaterais. Mas, às vezes, escavo algumas bifurcações.

O que sempre me causa sede...
Will Augusto. Tecnologia do Blogger.

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Aquilo Tudo que posta no Facebook e mais tantos mistérios que nem mesmo o espelho ou o mundo dos sonhos foi capaz - ainda - de descobrir.