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De tempos em tempos eu volto ao caos. Mas não o caos que amo, que subverto e faço meu. Falo do caos que doi, do caos que bagunça, do caos ...

Residencia em Meu Caos

De tempos em tempos eu volto ao caos.

Mas não o caos que amo, que subverto e faço meu. Falo do caos que doi, do caos que bagunça, do caos que presente me remonta passado e futuro num mesmo contexto de fumaça e incertezas.
De tempos em tempos, esse caos retorna e faz moradia num lar que não é seu. Minha mente. E nela, cria medos, monstros tão assustadores quanto os palhaços que temo tanto.
Me fazem perder o sone, ficar doente, querer me abandonar em mim mesmo, numa vala, no escuro, sozinho, sem fala ou escuta.

Me faz introspectivo, me faz ficar em mim, dentro onde ninguém lá fora- nem os melhores- conseguem alcançar.
E isso me frustra, porque vai alem da minha vontade de querer 'fazer passar'. Dai os horários não se encaixam, a faculdade não rende, as brigas em família vem, a ausência aos amigos surge, os compromissos não se cumprem, as promessas e favores não se realizam. 

"As Horas".

Perco fé, perco desejos e vontades. Perco pouco a pouco o que considero sanidade e tranco sem trinca, chave ou cadeado qualquer coisa entre mim, a chuva que cai, e a pele que treme sob a carne adoecida.
e não e algo silencioso apesar de todo calar. É algo visível, que não há como esconder. Quantas vezes essa semana a rua não me viu, a net não se conectou, a TV, os livros os filmes não fizeram sentido, e a garganta não se mostrou seca por falta de uso. 

Quantas vezes não escutei de colegas e amigos e da mãe: "o que vc tem?"; "vc ta estranho!"; "vc ta ausente..."

É que de tempos em tempos, o caos mora em mim. 

'O que aconteceu comigo? Você sabe? Não sei mais quem eu sou Ou como cheguei aqui Eu sinto falta de quem eu era Quero ter um lar...

Coisas de Tree Hill

'O que aconteceu comigo?
Você sabe?

Não sei mais quem eu sou
Ou como cheguei aqui
Eu sinto falta de quem eu era
Quero ter um lar novamente, sabe?
Não a moradia, mas o lar,
E amigos de verdade
O tipo de amizade em que costumava acreditar

Sinto falta disso...

...E sinto falta de você....

...Acho que sinto falta de tudo
Porque nada me cabe no agora.
Não há presente nesse futuro que construí.

Será que alguma coisa disso faz sentido?

Há pouco tempos atras, tudo parecia tão claro
Metas, planos, sonhos
Eu sabia exatamente o que queria ser, aonde queria chegar
Qual estrada percorrer, quais desvios pegar e àquelas as quais iria construir.
Há pouco tempo atrás tudo parecia tão claro que isso aqui
Conquistar o mundo, salvar o mundo
Viver feliz para sempre

Me pergunto agora: sou feliz?
É, às vezes. Nem sempre....
Não!

O que vai me fazer feliz?
É a minha aparência?
O carro que dirijo? As pessoas que conheço?
É o dinheiro? Celebridade? Poder? Conquistas?
Porque eu posso ter tudo isso, mas não, não acho que deva ser suficiente
Então o que é?

Clichê, mas; o amor eu acho.

E esse amor pode ser por uma pessoa, um garoto ou uma garota
Ou um lugar, ou um estilo de vida
Ou ate mesmo pela família
Mas onde eu encontrarei esse amor, só depende de mim

Onde eu encontrarei esse amor?
Onde?'

*Adaptação livre do texto narrado pelas personagens Peyton e Brooke, no episodio pilot da 5° temporada do seriado One Tree Hill, para se enquadrar na minha percepção e experiencia pessoal.

Isso que a falta de sono me causa. Rabiscos dispersos na madrugada. Nos ouvidos  Rubel Brisolla ( clique aqui para conhecer ), zumbidos e se...

Da serie: Insônias

Isso que a falta de sono me causa. Rabiscos dispersos na madrugada. Nos ouvidos  Rubel Brisolla (clique aqui para conhecer), zumbidos e sentimentos confusos.:

"'É bonito não é?'
- O que?
'As sombras projetadas na parede pela luz da cabana de cobertas...'"


"Ele pegou o papel para esquecer
Ele pegou a caneta para esquecer
Quando a tinta falhou, ele pegou o lápis, também para esquecer
Ele pegou então o apontador, para esquecer
Ele acendeu uma meia luz para esquecer
Ele escreveu para esquecer
Ele lembrou, recordou para esquecer...
Mas lembrou...; e esqueceu do que queria esquecer
E lembrando, enfim recordou porque queria esquecer.
fechou os olhos e apertou o peito e o lápis nas mãos
E desatou a chorar pela ultima vez, para esquecer."

"Aterriza e cai
Aterriza e cai
E os beijos que beijei também

Aterriza e vai
Aterriza e vai
E as fotos que amassei também

Aterriza e esvai
Aterriza e esvai
E as gavetas trancadas, agora arrombadas também

Aterriza
Aterriza e cai
Aterriza e vai
Aterriza e esvai
Aterriza e escoa, e o café que nunca mais serviu também

Aterriza e pára
e deixa de sentir também."


"Perceba bem rapaz do tênis branco
Da mão molhada, da fala mansa
Não lhe quero de querer
Lhe quero de envelhecer
De embebedar e de lhe ler
Lhe quero de vinho barato
E loucura no meio da semana

Lhe quero de riso forçado só para agradar
Lhe quero de mentira ensaiada para não magoar
Lhe quero de covinhas nas costas
Lhe quero de chulé forte e por isso envergonhado
Lhe quero de timidez fora de hora...

Perceba bem rapaz,
lhe quero de manhã e não as 22h da noite
Lhe quero voltando e não chegando...

É, é de algodão, de algo tão
Que cresce feito o feijão
De experimento escolar

É feito avião, que voa
No ar, atravessa o mar
Aterriza na água para me ver afogar...

E perceba bem, pra quem
Te 'lindando', no quarto escuro
Com visões a dançar pelas paredes frias
Na madrugada e manhãs de descoragem...

É rapaz, perceba que é assim...
E só assim lhe tenho
Nos textos em que te escrevo,
Nos textos em que te escrevi."

A crise dos quarenta para os homens e a dos trinta para as mulheres. Na minha visão de mundo isso nunca existiu. Ledo engano. Mas creio hoj...

"Aprender ou Esperar? Eis a questão..."

A crise dos quarenta para os homens e a dos trinta para as mulheres. Na minha visão de mundo isso nunca existiu. Ledo engano.
Mas creio hoje, que a real crise existe aos vinte e não mais na terceira década em diante.
Isso porque talvez seja minha faixa de idade registrada.

Aos vinte, jovens homens e jovens mulheres se veem face a face com a vida adulta imposta versus a perda confusa do que mal conseguiu compreender que foi a vida adolescente. Não há mais tempo para passarmos pela transição. pulamos da infância direto para o caos e deste direto para a nostalgia desenfreada cruel e de escape.

Meninos de dez sentem saudades dos cinco anos de idade, meninas de dezesseis sentem saudades dos sete anos. Jovens de vinte sentem saudades do útero... O mundo anacrônico - sempre ele- de midiatização e idiocrasias, nos fazem reviver tempos passados antes mesmo do nascimentos de nossos avôs e avós. A um seculo, dois e mais, mulheres casavam-se assim que o 'sangue lhes chegavam' - era assim que diziam... Os meninos, eram homens assim que os primeiros pêlos e a protuberância no pescoço cresciam. Catorze ou quinze anos de idade, e já formavam família e obtinham responsabilidades na sociedade.

Hoje, a liberdade da 'espera', da escolha de 'ser' e 'querer' independente do tempo; se perdeu novamente.
Hoje cobram dos vinte responsabilidades dos trinta, mas ao mesmo tempo, esses vinte mal conseguem se sentir diferentes dos de dez, quinze....

O tempo sempre foi relativo, mas hoje ele se tornou ativo. Numa passividade irrefreável a que nós nos entregamos sem saber ou poder impedir.

Faço essa reflexão, pois o tempo me esgota. sempre me esgotou, e hoje em comunhão com ele, me sinto numa corda bamba, onde ele me balança, ou eu balanço ele. nunca sei quem segura as duas pontas.
É a escolha versus o destino que sempre pontuam diante da vida. Sou eu que a domino ou ela que me domina?

A vida dita caminhos, impõe caminhos que tenho que seguir e eu como bom revoltado inconstante e doente da insatisfação crônica que sou, não me deixo levar ou não me permito. Teimosia uns dizem. É também. Medo outros gritam. É também. Determinação. É também.

É perda de alicerce e cada vez mais sinais, da lua ao chão, para eu finalmente me mostrar ao mundo, me fazer ouvir - por que nele eu já me lancei faz tempo. A vida parece me cobrar iniciativas e decisões. Parece querer que eu deixe - de uma vez por todas - de seguir e começar a ser o que os outros seguem. Deixar de me apoiar e apoiar, para começar a subir ou descer, seja lá para que direção minhas escolhas multilaterais e multidimensionais me levem.

Mas o tempo, sempre o tempo, nunca me diz qual a hora certa disso. Se agora ou daqui a duas horas. Se amanhã ou apos o café da tarde.
E isso me mata aos poucos, me enche da insegurança do menino embaixo da cama a espera de alguém para poder sair sem medo do bicho papão no armário lhe pegar.
Eu cresço tal qual o numero do meu sapato - de 39 para 40 e aumentando em menos de 2 anos e sim tenho 24 anos...- mas a cautela também. O desespero.

Ate sei que seja lá onde for, aos 25, aos 35 ou aos 50, as crises sempre me acompanharão. Mas o problema é que não sei se quero adicionar uma a mais agora aos 24, para se repetir a cada dez anos.

Quando nos acostumamos com o caos, é difícil aceitar a paz, ainda que ela seja apenas uma possibilidade...

"Aprender ou Esperar? Eis a questão..." - Willian Augusto;

E meu xará que vá segurar seu crânio em outro lugar...

'A velha chorou Tanta maldade em tanto tempo Sem saber o que falar... Tricotando veneno... ♫' Um carrossel se caracteriza ...

A Velha tricotando um Bom Rock

'A velha chorou
Tanta maldade em tanto tempo
Sem saber o que falar... Tricotando veneno...♫'

Um carrossel se caracteriza pelos seus giros contínuos em seu próprio eixo. Geralmente comportando objetos, animais, inanimados para levar passageiros. Quanto mais o carrossel gira, mais vem ao passageiro à sensação de estar sendo guiado numa viagem louca, de percepção avessa aos sentidos normais. O giro causa tontura e êxtase ao mesmo tempo. Quando o giro se dá numa velocidade grande, vem à euforia e o medo.

Mas seja qual sensação que se tem durante os giros, uma é a mesma, durante e depois: ansiedade pelo que a viagem poderá proporcionar.

E é exatamente isso que estou sentindo ao ver esse 'off' das gravações de um dos CDs mais aguardados por mim esse ano. Seja por ser de uma banda de amigos queridos talentosos em crescente evolução em sua arte verdadeira, seja por essa sonoridade mais pesada que sempre me agradará. Além é claro de as letras de ‘Mafalda’ conseguirem sempre ser a ‘Morfina’ que meus sentidos almejam. Quem são eles?;  Aline SurviveAndrews RogerioLuciana LiviaCarla Keyse, dentre outros.

Hoje dia 15 de Agosto, a banda liberou o primeiro single desse novo trabalho. A faixa se chama “A Velha a Tricotar Desilusões”.

Pesada e intensa, essa é a sensação que se tem. E pela primeira vez, consigo 'enxergar' ao escutar; a Mafalda Morfina que sempre esperei chegar.

Era uma espera clara para mim, um som mais maduro, mas com a mesma consistência de letras incisivas e criticas, ainda que pessoais. O arranjo com essas vozes de fundo ficou show!

Lembra um pouco a Era da banda Luxuria alias... E isso me excitou bastante.

Esse 'carrossel' promete! E eu to aqui só aguardando, enquanto tricoto um bom rock com essa velha...
E que venha logo esse Carrossel Estático. Mas duvido que haverá algo que consiga nos fazer ficar parados !

Se for escutar apenas uma musica hoje, dê play nessa promessa já se concretizando, minha dica de hoje embalando a Realidade Utópica




Para saber mais da banda, confere aí o novo site deles: http://www.mafaldamorfina.com.br/

Alias, eles já foram inspiração para vários post's aqui no blog, e no Ecos da Caverna também; entre eles esse aqui >> Caverna dos Ecos

 A pele entrecortada dos dois lados, bochechas e lábios. Um gelo nos pés que calor nenhum consegue esquentar. Entre os cobertores - d...

Raso/Profundo



 A pele entrecortada dos dois lados, bochechas e lábios. Um gelo nos pés que calor nenhum consegue esquentar.
Entre os cobertores - dois, três, em camadas sobrepostas - lacro as beiradas e com o ar rarefeito a me acompanhar, faço noite. Faço noite para poder enxergar.

E ali na escuridão sob as mantas, a garganta embrulha vagas e preenchimentos que a máxima ‘passou’ gritada a tanto afinco por mim mesmo aos quatro ventos, me dizem estar erradas. 'Ah! Quando a percepção nos engana e zomba da gente...'

Planejei andar apenas de lado e sempre em frente, para poder estar em comunhão simétrica com o passado e o futuro, e ainda assim viver o presente como bem minha razão manda. Mas o pressentimento de que algo falta ou não esta correto me faz sempre vacilar na posição, na angulação de mundo e às vezes dar as costas a um lado ou apenas interromper algum plano maior, aberto em detalhe de qualquer coisa que eu deveria analisar melhor. 

Eu sou assim. 
Eu sou.

Ainda sob a manta, me faço criança e brinco de lembrar de brincar cirandas, pega-pegas e brincadeiras que eu mesmo inventava e já naquela época manipulava como verdadeiras e existentes a minha vontade. Isso porque no meu mundo, quando quero que algo exista mesmo sem poder, aquilo se torna real. Menos com pessoas, nunca entendi pessoas.

Sob a manta e os cobertores, revejo series de nostalgia que me fazem recordar e constatar o porquê tenho tanto medo de dizer TE AMO, e o porque tais palavrinhas são tão significantes onde o próprio sexo não é. Relembrar o porquê é difícil de me comunicar com meu próprio sangue e o porque nem mesmo eu ou os melhores  ao meu redor e dentro de mim, conseguem e jamais conseguirão me decifrar de fato, por completo.

Me pego sonhando também, com possibilidades e ensaios de conversas e lembranças plantadas, para uma premonição futura e inventada, onde ainda assim choro e engasgo antes de adentrar novamente sua casa, relembrar seu portão e garagem, e simplesmente repensar a avalanche de equívocos e fundos de poços que eu mesmo me enfiei, balançando e molhando a barra das calças.

Alias, sonho, ainda que eles como sempre me repito, sejam pesadelos, recorrentes onde uma luz forte me cega, onde uma sombra dispersa se aproxima e entra, no corpo através da alma e me leva. Abduzido, levado, possuído, o que seja. Mas sempre pressinto segundos antes de se completar a ação,e  acordo suando sem saber se a tremedeira e o medo não passou de um pesadelo intenso ou se há algo realmente de peculiar comigo voltando através do que sempre reneguei e fugi. Por covardia.

Coloco a fé de lado e me embrenho no esquecimento, pegar o que me assusta e trancar no armário – aquele armário abarrotado, capenga, de madeira que se desfaz em pó e água-, sem querer saber o formato exato da chave, pretendendo nunca abri-lo.

E ainda assim, acordado percebo deja vu’s cada dia mais constantes e um prelúdio de algo que torço e rezo mesmo sem fé absoluta que não passe de paranoias e medos de criança que não sabe brincar ou se esconder direito. Prelúdios de valas, becos, buracos, caixões, corridas, gritos, perseguições, esconderijos  simplesmente por ser quem sou, por ser quem e como nasci. Mas enfim. Em fim para tantos fins.

É que sob minhas mantas me faço a minha própria noite, relembro a pergunta da Lagarta a Alice: 
“quem és tu?” 
e permaneço em silencio enquanto reflito em luto, enquanto tento identificar os significados das musicas em inglês que escuto, enquanto seguro minhas pernas em posição de feto, enquanto meus pés necrosam no inverno gelado do vento lá fora, e da tempestade aqui dentro.


(parece que precisarei  me acostumar a ideia de começar a usar pantufas...)

Estranho quando você percebe que não esta só no mundo. que mais pessoas ao redor da vida, em varias épocas sentem e sentiram a mesma dor q...

Espelhos N'Água

Estranho quando você percebe que não esta só no mundo. que mais pessoas ao redor da vida, em varias épocas sentem e sentiram a mesma dor que você; que compreendem ainda que ainda não sejam capazes tal qual você de explicar em palavras escritas, visuais, musicadas ou faladas isso. Porem se isso poderia fornecer na teoria um consolo a essas almas, essas cabeças peregrinas, na verdade em mim ao menos causa desconforto. Uma mescla de alegria, paz e tristeza/desespero. Por constatar que mesmo que eu não seja o único a sentir tais dores, esses outros muitos sem rostos, tal qual eu permanecem para sempre sem solução para acabar com isso. Isso porque aos poucos se entende que ha pessoas que nascem assim. Tal qual impressões digitais. Quem nasce inquieto vive e morre inquieto. Alguns aprendem a disfarçar se tornam atores e atrizes para seu próprio palco, mas a dor não muda, não vai, não cessa. Ate silencia, mas não morre.

Então muitos dizem não entender e de fato não entendem porque a pessoa que tem tudo, dinheiro, família, amigos, é amado, ama, tem saúde, disposição, força, vitalidade, perfeições, os dois braços, as duas pernas, todos os sentidos funcionando como se espera; Por que essas pessoas se suicidam, entram em depressão, são infelizes, quietas, barulhentas, solitárias. Não, você que não entende, jamais entendera. Não dá.

O vazio, mesmo quando cheio é pesado demais. O vácuo também preenche, também esgota. Para cada um a dor é uma coisa diferente. A minha não é a mesma que a sua, alias, nem mesmo eu sei qual a minha. Só sei que as vezes, certas artes - a unica coisa que consegue chegar perto de traduzir o que bomba ou o que não bomba entre os gritos e silenciosos do peito e da mente -  me fazem olhar para o que eu diariamente, hora por hora tento disfarçar. Vivo atuando, desde que percebi que lagrimas só causam dor de cabeça, narizes escorrendo e garganta seca. Atuo pra mim, alem de mim, dia  apos dia, para ocultar esse vazio que não se preenche. Chamo de dor, que não existe cura ou morfina. Por ela eu sou o que sou. Não sei o que seria sem ela. Feito espelhos d'água me vejo, reflito, canto, filmo, escrevo, rio, me perco, dramatizo, coloco problemas para resolver, me afundo, me afogo, mas sempre com um salva vidas de escarnio. Apenas para sentir o melhor dessa dor, e esquecer da outra parte que me impede de falar alto, me impede de demonstrar tristeza e rir continuamente a todos. que me fez esconder atras de computadores, cartas, livros, cadernos, filmes, series, personagens, musicas, shows, bandas, peças de teatro, e o olhar baixo enquanto ando na rua. Que me faz tirar foto sobre foto para ver uma face diferente da que tenho por dentro e me auto afirmar- não me findar-. Como e deixo de comer, faço amor, sexo, fujo mas permaneço em nome de lembranças mesmo as que quero e deveria esquecer. Volto para trás e danço, ou pernaço deitado de olhos fechados sonhando e sonhando ainda que em pesadelos. Que ma faz temer o futuro e não enxerga-lo comigo nele.

Por essa dor não nomeada eu sinto, para não sumir pelo ralo ao virar água, escoar-me por ela e morrer. sumir, entrar no esquecimento do nada e não mais sentir. Sem medo, é apenas que prefiro escolher ficar e sentir, doer. Sim, doer, para quem sabe quando o nada chegar, eu consiga obter o prazer de saber como é se diluir entre ela e por ela.

Estou doendo...


**Texto/Reflexão extremamente pessoal do autor, após a exibição do documentário nacional 'Elena' da diretora Petra Costa.

Dizem que ele foi morar tão longe, ali no lugar onde ninguém cabe. Não levou malas, meias nem canecas. Somente um par de botas para tri...

Ninguém Soube, Nada Coube, Tudo.

Dizem que ele foi morar tão longe, ali no lugar onde ninguém cabe.

Não levou malas, meias nem canecas. Somente um par de botas para trilhar o caminho das pedras, e um gorro de lã para esquentar suas ideias no rigoroso gelo do inverno.
Não se sabe ate hoje seu nome, profissão, idade, ou altura. Só se diz pelos cantos que sua sombra é corpórea e densa, quase maciça.

Nesse lugar onde ninguém cabe, ele instalou uma republica de um só. Sem estar só. Mesmo que ninguém conseguisse caber neste lugar, sempre havia pessoas indo e vindo, ficando a esmo mas logo voltando a ir. Só nunca, mesmo que sendo só ele. Ninguém cabia afinal.

Esse lugar onde foi morar, uma casa sem portas e com duas janelas redondas  com cortinas de seda branca, era grande, vasto. Com arvores, cantos de pássaros coloridos e um céu azulado, ainda que não fosse totalmente azul. As noites eram amenas e escuras, num tom de cinza escuro bem peculiar. Sem estrelas, só a Lua grande durante o dia e a lua minguada, a mesma; durante a noite torrencial.

Seus dias passavam de arrastão a pulos. Ninguém estranhava, afinal ninguém via, ali, ninguém cabia.

Ate que um dia, numa tarde de chuva, Outro surgiu por lá. Procurando um mesmo lugar, para nada mais caber. Este queria espaço para alguém, mas não queria nada além, nem de alguém ou de ninguém.

Descobriu-se que este lugar onde ninguém cabe, era o mesmo onde nada cabia também. Era o mesmo lugar separado por uma cortina d’água que ele; o que ninguém cabia; jamais havia notado. Afinal, aquele lugar era extenso.

 Juntos, sem nunca se falarem, mas sempre se enxergarem eles conviveram bem, ate a ultima manhã de domingo. Onde pela primeira vez em anos as semanas e as coisas mundanas voltaram a fazer parte de um cotidiano instalado. Quando Ele começou a encontrar lugar para o Outro que pela primeira vez percebeu que ali ainda cabia alguém.


Ali, as madrugadas ainda seguem sem nuvens. Ainda...


‘Olá pessoa que inventa o mal para separar...’ Se notar bem, é possível ver as ondulações da cortina de pano leve amarelo balançando pelo v...

Trocando os Sentidos

‘Olá pessoa que inventa o mal para separar...’
Se notar bem, é possível ver as ondulações da cortina de pano leve amarelo balançando pelo vento frio que entra pelas frestas da janela entreaberta.
É manhã, e desperto com desejos e vontade de existir ou simplesmente me perder por ai esquecendo que é preciso viver.

É uma constante, alias, são uma constante. O plural não se enquadra dentro do singular, este sim, aqui, ainda que a gramática não obedeça minha opinião.
São vidas em uma vida, que se vive em semanas. Vidas completas ou a se completar, e ficar no meio termo entre ir e vir também. Vidas de frio querendo se esquentar.

Coloco um soul, um jazz ou mesmo um samba de raiz. Entre meus tons de branco, preto, cinza e vermelho sangue ou de enrubescimento, viajo ate as mais ínfimas ondas do espaço sideral das paginas desses livros mofados ou simplesmente me deixo flutuar sereno e calmo nas viagens dos filmes mais improváveis e de calmaria serena e solitária do meu universo particular.

Transponho tais relatos de cada vida aos papeis e editores de texto a esmo sem cessar. A procura de uma lacuna escondida de significado e riso frouxo ou de alguma emoção, medo talvez e adrenalina ainda que silenciosa, só para mim. Criar e me criar nessa criação. Fazer-me cria e criador num ínfimo instante.

Mas pauso o pensar e a grafia e exalo recados nas paredes do coração:


" .. Arruma um canto pra ficar comigo
Se você não se importar, eu posso te levar
O meu carinho que carece abrigo.."


São nas vidas de frio onde me encontro mais entre os passos dos meus perdidos. 

Vinte quatro anos, vinte quatro primaveras e vinte e quatro outonos. Penso que já vivi muitos tantos invernos e verões também, mas os m...

Dois Ponto Quatro

Vinte quatro anos, vinte quatro primaveras e vinte e quatro outonos.

Penso que já vivi muitos tantos invernos e verões também, mas os mais marcantes sempre foram os outonos e as primaveras. Ainda que eu tenha nascido sob um inverno rigoroso.

Acho que a estação do meu nascimento diz muito sobre quem sou e quem serei, quem fui e quem voltarei a ser. Sou um ser mutável e disso todos sabem aqueles próximos e aqueles longínquos. Não é preciso estar perto de mim, ou me conhecer pessoalmente para perceber o quão instável e mutável sou. Sou um emaranhado de emoções, de vontades e desejos, de abandono, de apego, de indiferenças, disfarces e fases diversas de sinceridade, m verdades, mentiras e muita ocultação e camuflagem.
Sou um emaranhado amassado repleto de nós a desatar e a se enrolar ainda mais.

Não é fácil conviver comigo e também não é fácil deixar de conviver- tenho essa consciência de ego sincero-. Sou um ser normal e cotidiano de raridade estranha talvez... Não sei.
Muitos me conhecem pelas palavras, acho que é meu ponto de partida. Depois me enxergam pela sensibilidade ou pelo silêncio que sempre me acompanha ao lado de um sorriso muitas vezes amarelado e automático.

Sou um ser feliz, sem paz, perdido, mas coerente em toda a confusão e utopia existente dentro, fora e ao redor. Em cada pedaço biológico, espacial e os fragmentados nos amores entrelaçados no coração, na mente e nas lembranças.

No meu aniversario entro numa bolha de ferro, aço e marfim, que reluz, e ressoam todos os pensamentos e reflexões, todos os demônios e dádivas de uma só vez. É um caos interno intenso, que dói, e causa uma pitada de prazer sadomazoquista a cada ano relembrado. E esse ano são vinte e quatro. Uma cicatriz e ferida aberta, uma morfina e copo de café quente e saboroso para cada hora deste dia. São Vinte e quatro anos de descobertas, esquecimentos, de valias de erros, de liberdade e aprisionamento, de crescimento e esmorecimento completos e faltantes também. Sempre contra planos, sempre. 8 ou 80. Cara ou Coroa. Ou melhor, A ponta. A quina. Nunca um ou outro, sempre o meio entre os dois lados. Ali estou cá. Ali estou eu.

Penso nos amores, nos sonhos, nos planos. No reflexo do espelho, nas sombras nas paredes e no chão. Penso em tudo e em nada também, onde fui, onde estou, aonde cheguei, onde irei, como irei. Nos porquê’s, nos como’s e nos agora’s.

Um turbilhão que faz com que cada aniversário seja difícil tal quais natais para passar e sobreviver.
Há farra, alegria e emoção por cada lembrança e consideração de rostos desconhecidos, de vozes nunca escutadas de pessoas, de sentimentos que se imagina não passar de dígitos numa tela virtual mas que carregam sinceridade jamais imaginada. Emociona... Cativa...


É um dia de turbilhão. De Estações. Onde passeio por todas elas num piscar de olhos. Onde acendo a vela da minha alma e só assopro a meia noite rumo ao dia dez. onde corto os pedaços de amargura e entrego o primeiro pedaço ao inferno, para que me deixe por mais longos anos, ou longos momentos permanecer errante no labirinto dessa vida. Onde faço festa com minha sobrevivência, percebo que estou aqui e danço com a luz sob os aplausos do sol. Onde sinto o vento gelado do inverno enrubescer minha face e com uma sensação de aconchego me enxergo pela primeira vez, uma vez a cada ano e percebo: 

Vida vadia minha, te amo pra caralho e obrigado por me deixar te-la. Mas, dá um tempo para minhas rugas e dor nas costas vai!
Will Augusto. Tecnologia do Blogger.

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Aquilo Tudo que posta no Facebook e mais tantos mistérios que nem mesmo o espelho ou o mundo dos sonhos foi capaz - ainda - de descobrir.