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A crise dos quarenta para os homens e a dos trinta para as mulheres. Na minha visão de mundo isso nunca existiu. Ledo engano. Mas creio hoj...

"Aprender ou Esperar? Eis a questão..."

A crise dos quarenta para os homens e a dos trinta para as mulheres. Na minha visão de mundo isso nunca existiu. Ledo engano.
Mas creio hoje, que a real crise existe aos vinte e não mais na terceira década em diante.
Isso porque talvez seja minha faixa de idade registrada.

Aos vinte, jovens homens e jovens mulheres se veem face a face com a vida adulta imposta versus a perda confusa do que mal conseguiu compreender que foi a vida adolescente. Não há mais tempo para passarmos pela transição. pulamos da infância direto para o caos e deste direto para a nostalgia desenfreada cruel e de escape.

Meninos de dez sentem saudades dos cinco anos de idade, meninas de dezesseis sentem saudades dos sete anos. Jovens de vinte sentem saudades do útero... O mundo anacrônico - sempre ele- de midiatização e idiocrasias, nos fazem reviver tempos passados antes mesmo do nascimentos de nossos avôs e avós. A um seculo, dois e mais, mulheres casavam-se assim que o 'sangue lhes chegavam' - era assim que diziam... Os meninos, eram homens assim que os primeiros pêlos e a protuberância no pescoço cresciam. Catorze ou quinze anos de idade, e já formavam família e obtinham responsabilidades na sociedade.

Hoje, a liberdade da 'espera', da escolha de 'ser' e 'querer' independente do tempo; se perdeu novamente.
Hoje cobram dos vinte responsabilidades dos trinta, mas ao mesmo tempo, esses vinte mal conseguem se sentir diferentes dos de dez, quinze....

O tempo sempre foi relativo, mas hoje ele se tornou ativo. Numa passividade irrefreável a que nós nos entregamos sem saber ou poder impedir.

Faço essa reflexão, pois o tempo me esgota. sempre me esgotou, e hoje em comunhão com ele, me sinto numa corda bamba, onde ele me balança, ou eu balanço ele. nunca sei quem segura as duas pontas.
É a escolha versus o destino que sempre pontuam diante da vida. Sou eu que a domino ou ela que me domina?

A vida dita caminhos, impõe caminhos que tenho que seguir e eu como bom revoltado inconstante e doente da insatisfação crônica que sou, não me deixo levar ou não me permito. Teimosia uns dizem. É também. Medo outros gritam. É também. Determinação. É também.

É perda de alicerce e cada vez mais sinais, da lua ao chão, para eu finalmente me mostrar ao mundo, me fazer ouvir - por que nele eu já me lancei faz tempo. A vida parece me cobrar iniciativas e decisões. Parece querer que eu deixe - de uma vez por todas - de seguir e começar a ser o que os outros seguem. Deixar de me apoiar e apoiar, para começar a subir ou descer, seja lá para que direção minhas escolhas multilaterais e multidimensionais me levem.

Mas o tempo, sempre o tempo, nunca me diz qual a hora certa disso. Se agora ou daqui a duas horas. Se amanhã ou apos o café da tarde.
E isso me mata aos poucos, me enche da insegurança do menino embaixo da cama a espera de alguém para poder sair sem medo do bicho papão no armário lhe pegar.
Eu cresço tal qual o numero do meu sapato - de 39 para 40 e aumentando em menos de 2 anos e sim tenho 24 anos...- mas a cautela também. O desespero.

Ate sei que seja lá onde for, aos 25, aos 35 ou aos 50, as crises sempre me acompanharão. Mas o problema é que não sei se quero adicionar uma a mais agora aos 24, para se repetir a cada dez anos.

Quando nos acostumamos com o caos, é difícil aceitar a paz, ainda que ela seja apenas uma possibilidade...

"Aprender ou Esperar? Eis a questão..." - Willian Augusto;

E meu xará que vá segurar seu crânio em outro lugar...

'A velha chorou Tanta maldade em tanto tempo Sem saber o que falar... Tricotando veneno... ♫' Um carrossel se caracteriza ...

A Velha tricotando um Bom Rock

'A velha chorou
Tanta maldade em tanto tempo
Sem saber o que falar... Tricotando veneno...♫'

Um carrossel se caracteriza pelos seus giros contínuos em seu próprio eixo. Geralmente comportando objetos, animais, inanimados para levar passageiros. Quanto mais o carrossel gira, mais vem ao passageiro à sensação de estar sendo guiado numa viagem louca, de percepção avessa aos sentidos normais. O giro causa tontura e êxtase ao mesmo tempo. Quando o giro se dá numa velocidade grande, vem à euforia e o medo.

Mas seja qual sensação que se tem durante os giros, uma é a mesma, durante e depois: ansiedade pelo que a viagem poderá proporcionar.

E é exatamente isso que estou sentindo ao ver esse 'off' das gravações de um dos CDs mais aguardados por mim esse ano. Seja por ser de uma banda de amigos queridos talentosos em crescente evolução em sua arte verdadeira, seja por essa sonoridade mais pesada que sempre me agradará. Além é claro de as letras de ‘Mafalda’ conseguirem sempre ser a ‘Morfina’ que meus sentidos almejam. Quem são eles?;  Aline SurviveAndrews RogerioLuciana LiviaCarla Keyse, dentre outros.

Hoje dia 15 de Agosto, a banda liberou o primeiro single desse novo trabalho. A faixa se chama “A Velha a Tricotar Desilusões”.

Pesada e intensa, essa é a sensação que se tem. E pela primeira vez, consigo 'enxergar' ao escutar; a Mafalda Morfina que sempre esperei chegar.

Era uma espera clara para mim, um som mais maduro, mas com a mesma consistência de letras incisivas e criticas, ainda que pessoais. O arranjo com essas vozes de fundo ficou show!

Lembra um pouco a Era da banda Luxuria alias... E isso me excitou bastante.

Esse 'carrossel' promete! E eu to aqui só aguardando, enquanto tricoto um bom rock com essa velha...
E que venha logo esse Carrossel Estático. Mas duvido que haverá algo que consiga nos fazer ficar parados !

Se for escutar apenas uma musica hoje, dê play nessa promessa já se concretizando, minha dica de hoje embalando a Realidade Utópica




Para saber mais da banda, confere aí o novo site deles: http://www.mafaldamorfina.com.br/

Alias, eles já foram inspiração para vários post's aqui no blog, e no Ecos da Caverna também; entre eles esse aqui >> Caverna dos Ecos

 A pele entrecortada dos dois lados, bochechas e lábios. Um gelo nos pés que calor nenhum consegue esquentar. Entre os cobertores - d...

Raso/Profundo



 A pele entrecortada dos dois lados, bochechas e lábios. Um gelo nos pés que calor nenhum consegue esquentar.
Entre os cobertores - dois, três, em camadas sobrepostas - lacro as beiradas e com o ar rarefeito a me acompanhar, faço noite. Faço noite para poder enxergar.

E ali na escuridão sob as mantas, a garganta embrulha vagas e preenchimentos que a máxima ‘passou’ gritada a tanto afinco por mim mesmo aos quatro ventos, me dizem estar erradas. 'Ah! Quando a percepção nos engana e zomba da gente...'

Planejei andar apenas de lado e sempre em frente, para poder estar em comunhão simétrica com o passado e o futuro, e ainda assim viver o presente como bem minha razão manda. Mas o pressentimento de que algo falta ou não esta correto me faz sempre vacilar na posição, na angulação de mundo e às vezes dar as costas a um lado ou apenas interromper algum plano maior, aberto em detalhe de qualquer coisa que eu deveria analisar melhor. 

Eu sou assim. 
Eu sou.

Ainda sob a manta, me faço criança e brinco de lembrar de brincar cirandas, pega-pegas e brincadeiras que eu mesmo inventava e já naquela época manipulava como verdadeiras e existentes a minha vontade. Isso porque no meu mundo, quando quero que algo exista mesmo sem poder, aquilo se torna real. Menos com pessoas, nunca entendi pessoas.

Sob a manta e os cobertores, revejo series de nostalgia que me fazem recordar e constatar o porquê tenho tanto medo de dizer TE AMO, e o porque tais palavrinhas são tão significantes onde o próprio sexo não é. Relembrar o porquê é difícil de me comunicar com meu próprio sangue e o porque nem mesmo eu ou os melhores  ao meu redor e dentro de mim, conseguem e jamais conseguirão me decifrar de fato, por completo.

Me pego sonhando também, com possibilidades e ensaios de conversas e lembranças plantadas, para uma premonição futura e inventada, onde ainda assim choro e engasgo antes de adentrar novamente sua casa, relembrar seu portão e garagem, e simplesmente repensar a avalanche de equívocos e fundos de poços que eu mesmo me enfiei, balançando e molhando a barra das calças.

Alias, sonho, ainda que eles como sempre me repito, sejam pesadelos, recorrentes onde uma luz forte me cega, onde uma sombra dispersa se aproxima e entra, no corpo através da alma e me leva. Abduzido, levado, possuído, o que seja. Mas sempre pressinto segundos antes de se completar a ação,e  acordo suando sem saber se a tremedeira e o medo não passou de um pesadelo intenso ou se há algo realmente de peculiar comigo voltando através do que sempre reneguei e fugi. Por covardia.

Coloco a fé de lado e me embrenho no esquecimento, pegar o que me assusta e trancar no armário – aquele armário abarrotado, capenga, de madeira que se desfaz em pó e água-, sem querer saber o formato exato da chave, pretendendo nunca abri-lo.

E ainda assim, acordado percebo deja vu’s cada dia mais constantes e um prelúdio de algo que torço e rezo mesmo sem fé absoluta que não passe de paranoias e medos de criança que não sabe brincar ou se esconder direito. Prelúdios de valas, becos, buracos, caixões, corridas, gritos, perseguições, esconderijos  simplesmente por ser quem sou, por ser quem e como nasci. Mas enfim. Em fim para tantos fins.

É que sob minhas mantas me faço a minha própria noite, relembro a pergunta da Lagarta a Alice: 
“quem és tu?” 
e permaneço em silencio enquanto reflito em luto, enquanto tento identificar os significados das musicas em inglês que escuto, enquanto seguro minhas pernas em posição de feto, enquanto meus pés necrosam no inverno gelado do vento lá fora, e da tempestade aqui dentro.


(parece que precisarei  me acostumar a ideia de começar a usar pantufas...)

Estranho quando você percebe que não esta só no mundo. que mais pessoas ao redor da vida, em varias épocas sentem e sentiram a mesma dor q...

Espelhos N'Água

Estranho quando você percebe que não esta só no mundo. que mais pessoas ao redor da vida, em varias épocas sentem e sentiram a mesma dor que você; que compreendem ainda que ainda não sejam capazes tal qual você de explicar em palavras escritas, visuais, musicadas ou faladas isso. Porem se isso poderia fornecer na teoria um consolo a essas almas, essas cabeças peregrinas, na verdade em mim ao menos causa desconforto. Uma mescla de alegria, paz e tristeza/desespero. Por constatar que mesmo que eu não seja o único a sentir tais dores, esses outros muitos sem rostos, tal qual eu permanecem para sempre sem solução para acabar com isso. Isso porque aos poucos se entende que ha pessoas que nascem assim. Tal qual impressões digitais. Quem nasce inquieto vive e morre inquieto. Alguns aprendem a disfarçar se tornam atores e atrizes para seu próprio palco, mas a dor não muda, não vai, não cessa. Ate silencia, mas não morre.

Então muitos dizem não entender e de fato não entendem porque a pessoa que tem tudo, dinheiro, família, amigos, é amado, ama, tem saúde, disposição, força, vitalidade, perfeições, os dois braços, as duas pernas, todos os sentidos funcionando como se espera; Por que essas pessoas se suicidam, entram em depressão, são infelizes, quietas, barulhentas, solitárias. Não, você que não entende, jamais entendera. Não dá.

O vazio, mesmo quando cheio é pesado demais. O vácuo também preenche, também esgota. Para cada um a dor é uma coisa diferente. A minha não é a mesma que a sua, alias, nem mesmo eu sei qual a minha. Só sei que as vezes, certas artes - a unica coisa que consegue chegar perto de traduzir o que bomba ou o que não bomba entre os gritos e silenciosos do peito e da mente -  me fazem olhar para o que eu diariamente, hora por hora tento disfarçar. Vivo atuando, desde que percebi que lagrimas só causam dor de cabeça, narizes escorrendo e garganta seca. Atuo pra mim, alem de mim, dia  apos dia, para ocultar esse vazio que não se preenche. Chamo de dor, que não existe cura ou morfina. Por ela eu sou o que sou. Não sei o que seria sem ela. Feito espelhos d'água me vejo, reflito, canto, filmo, escrevo, rio, me perco, dramatizo, coloco problemas para resolver, me afundo, me afogo, mas sempre com um salva vidas de escarnio. Apenas para sentir o melhor dessa dor, e esquecer da outra parte que me impede de falar alto, me impede de demonstrar tristeza e rir continuamente a todos. que me fez esconder atras de computadores, cartas, livros, cadernos, filmes, series, personagens, musicas, shows, bandas, peças de teatro, e o olhar baixo enquanto ando na rua. Que me faz tirar foto sobre foto para ver uma face diferente da que tenho por dentro e me auto afirmar- não me findar-. Como e deixo de comer, faço amor, sexo, fujo mas permaneço em nome de lembranças mesmo as que quero e deveria esquecer. Volto para trás e danço, ou pernaço deitado de olhos fechados sonhando e sonhando ainda que em pesadelos. Que ma faz temer o futuro e não enxerga-lo comigo nele.

Por essa dor não nomeada eu sinto, para não sumir pelo ralo ao virar água, escoar-me por ela e morrer. sumir, entrar no esquecimento do nada e não mais sentir. Sem medo, é apenas que prefiro escolher ficar e sentir, doer. Sim, doer, para quem sabe quando o nada chegar, eu consiga obter o prazer de saber como é se diluir entre ela e por ela.

Estou doendo...


**Texto/Reflexão extremamente pessoal do autor, após a exibição do documentário nacional 'Elena' da diretora Petra Costa.

Dizem que ele foi morar tão longe, ali no lugar onde ninguém cabe. Não levou malas, meias nem canecas. Somente um par de botas para tri...

Ninguém Soube, Nada Coube, Tudo.

Dizem que ele foi morar tão longe, ali no lugar onde ninguém cabe.

Não levou malas, meias nem canecas. Somente um par de botas para trilhar o caminho das pedras, e um gorro de lã para esquentar suas ideias no rigoroso gelo do inverno.
Não se sabe ate hoje seu nome, profissão, idade, ou altura. Só se diz pelos cantos que sua sombra é corpórea e densa, quase maciça.

Nesse lugar onde ninguém cabe, ele instalou uma republica de um só. Sem estar só. Mesmo que ninguém conseguisse caber neste lugar, sempre havia pessoas indo e vindo, ficando a esmo mas logo voltando a ir. Só nunca, mesmo que sendo só ele. Ninguém cabia afinal.

Esse lugar onde foi morar, uma casa sem portas e com duas janelas redondas  com cortinas de seda branca, era grande, vasto. Com arvores, cantos de pássaros coloridos e um céu azulado, ainda que não fosse totalmente azul. As noites eram amenas e escuras, num tom de cinza escuro bem peculiar. Sem estrelas, só a Lua grande durante o dia e a lua minguada, a mesma; durante a noite torrencial.

Seus dias passavam de arrastão a pulos. Ninguém estranhava, afinal ninguém via, ali, ninguém cabia.

Ate que um dia, numa tarde de chuva, Outro surgiu por lá. Procurando um mesmo lugar, para nada mais caber. Este queria espaço para alguém, mas não queria nada além, nem de alguém ou de ninguém.

Descobriu-se que este lugar onde ninguém cabe, era o mesmo onde nada cabia também. Era o mesmo lugar separado por uma cortina d’água que ele; o que ninguém cabia; jamais havia notado. Afinal, aquele lugar era extenso.

 Juntos, sem nunca se falarem, mas sempre se enxergarem eles conviveram bem, ate a ultima manhã de domingo. Onde pela primeira vez em anos as semanas e as coisas mundanas voltaram a fazer parte de um cotidiano instalado. Quando Ele começou a encontrar lugar para o Outro que pela primeira vez percebeu que ali ainda cabia alguém.


Ali, as madrugadas ainda seguem sem nuvens. Ainda...


‘Olá pessoa que inventa o mal para separar...’ Se notar bem, é possível ver as ondulações da cortina de pano leve amarelo balançando pelo v...

Trocando os Sentidos

‘Olá pessoa que inventa o mal para separar...’
Se notar bem, é possível ver as ondulações da cortina de pano leve amarelo balançando pelo vento frio que entra pelas frestas da janela entreaberta.
É manhã, e desperto com desejos e vontade de existir ou simplesmente me perder por ai esquecendo que é preciso viver.

É uma constante, alias, são uma constante. O plural não se enquadra dentro do singular, este sim, aqui, ainda que a gramática não obedeça minha opinião.
São vidas em uma vida, que se vive em semanas. Vidas completas ou a se completar, e ficar no meio termo entre ir e vir também. Vidas de frio querendo se esquentar.

Coloco um soul, um jazz ou mesmo um samba de raiz. Entre meus tons de branco, preto, cinza e vermelho sangue ou de enrubescimento, viajo ate as mais ínfimas ondas do espaço sideral das paginas desses livros mofados ou simplesmente me deixo flutuar sereno e calmo nas viagens dos filmes mais improváveis e de calmaria serena e solitária do meu universo particular.

Transponho tais relatos de cada vida aos papeis e editores de texto a esmo sem cessar. A procura de uma lacuna escondida de significado e riso frouxo ou de alguma emoção, medo talvez e adrenalina ainda que silenciosa, só para mim. Criar e me criar nessa criação. Fazer-me cria e criador num ínfimo instante.

Mas pauso o pensar e a grafia e exalo recados nas paredes do coração:


" .. Arruma um canto pra ficar comigo
Se você não se importar, eu posso te levar
O meu carinho que carece abrigo.."


São nas vidas de frio onde me encontro mais entre os passos dos meus perdidos. 

Vinte quatro anos, vinte quatro primaveras e vinte e quatro outonos. Penso que já vivi muitos tantos invernos e verões também, mas os m...

Dois Ponto Quatro

Vinte quatro anos, vinte quatro primaveras e vinte e quatro outonos.

Penso que já vivi muitos tantos invernos e verões também, mas os mais marcantes sempre foram os outonos e as primaveras. Ainda que eu tenha nascido sob um inverno rigoroso.

Acho que a estação do meu nascimento diz muito sobre quem sou e quem serei, quem fui e quem voltarei a ser. Sou um ser mutável e disso todos sabem aqueles próximos e aqueles longínquos. Não é preciso estar perto de mim, ou me conhecer pessoalmente para perceber o quão instável e mutável sou. Sou um emaranhado de emoções, de vontades e desejos, de abandono, de apego, de indiferenças, disfarces e fases diversas de sinceridade, m verdades, mentiras e muita ocultação e camuflagem.
Sou um emaranhado amassado repleto de nós a desatar e a se enrolar ainda mais.

Não é fácil conviver comigo e também não é fácil deixar de conviver- tenho essa consciência de ego sincero-. Sou um ser normal e cotidiano de raridade estranha talvez... Não sei.
Muitos me conhecem pelas palavras, acho que é meu ponto de partida. Depois me enxergam pela sensibilidade ou pelo silêncio que sempre me acompanha ao lado de um sorriso muitas vezes amarelado e automático.

Sou um ser feliz, sem paz, perdido, mas coerente em toda a confusão e utopia existente dentro, fora e ao redor. Em cada pedaço biológico, espacial e os fragmentados nos amores entrelaçados no coração, na mente e nas lembranças.

No meu aniversario entro numa bolha de ferro, aço e marfim, que reluz, e ressoam todos os pensamentos e reflexões, todos os demônios e dádivas de uma só vez. É um caos interno intenso, que dói, e causa uma pitada de prazer sadomazoquista a cada ano relembrado. E esse ano são vinte e quatro. Uma cicatriz e ferida aberta, uma morfina e copo de café quente e saboroso para cada hora deste dia. São Vinte e quatro anos de descobertas, esquecimentos, de valias de erros, de liberdade e aprisionamento, de crescimento e esmorecimento completos e faltantes também. Sempre contra planos, sempre. 8 ou 80. Cara ou Coroa. Ou melhor, A ponta. A quina. Nunca um ou outro, sempre o meio entre os dois lados. Ali estou cá. Ali estou eu.

Penso nos amores, nos sonhos, nos planos. No reflexo do espelho, nas sombras nas paredes e no chão. Penso em tudo e em nada também, onde fui, onde estou, aonde cheguei, onde irei, como irei. Nos porquê’s, nos como’s e nos agora’s.

Um turbilhão que faz com que cada aniversário seja difícil tal quais natais para passar e sobreviver.
Há farra, alegria e emoção por cada lembrança e consideração de rostos desconhecidos, de vozes nunca escutadas de pessoas, de sentimentos que se imagina não passar de dígitos numa tela virtual mas que carregam sinceridade jamais imaginada. Emociona... Cativa...


É um dia de turbilhão. De Estações. Onde passeio por todas elas num piscar de olhos. Onde acendo a vela da minha alma e só assopro a meia noite rumo ao dia dez. onde corto os pedaços de amargura e entrego o primeiro pedaço ao inferno, para que me deixe por mais longos anos, ou longos momentos permanecer errante no labirinto dessa vida. Onde faço festa com minha sobrevivência, percebo que estou aqui e danço com a luz sob os aplausos do sol. Onde sinto o vento gelado do inverno enrubescer minha face e com uma sensação de aconchego me enxergo pela primeira vez, uma vez a cada ano e percebo: 

Vida vadia minha, te amo pra caralho e obrigado por me deixar te-la. Mas, dá um tempo para minhas rugas e dor nas costas vai!

Ele finalmente parou. Foi indo de osmose em osmose, sem inercia para refletir sobre a energia que criava sem parar. Estática. Finalmente pa...

noctambulo

Ele finalmente parou. Foi indo de osmose em osmose, sem inercia para refletir sobre a energia que criava sem parar. Estática.
Finalmente parou, e transformou em caos o silêncio que a cidade abria em grito diante de seus olhos e ouvidos. Era tudo demais. Uma cadeira a mais na mesa vazia. Um bebe a mais onde só se esperava um. Um guerra, uma batalha e uma luta. Tudo junto, tudo muito.
O seu mundo ia de desespero e acumulação, a  confusão e parcimônia.
Andava e corria pelas ruas e rastros, deixando meias falas, pequenos fragmentos de vontades, e deslizes invisíveis por todo canto. Pedaços dele mesmo em sonhos e realizações.
Ele queria abraçar demais. Conter demais. Pegar demais. Ejacular sobre a pressão dada onde nunca se quer conseguir deixar seu pau duro ou penetrar nada além.
Ao querer demais replicou. Enlouqueceu em níveis colossais.
Ele não era louco, mas o sanatório de sua mente não podia confirmar esse diagnostico negativo.
Virou pilulas. Remédios com bula e ate cogitou as sem também. Ora pois, era livre em si, preso dentro de si.  Só cogitou.
Insônia, e um "noctambulo" criado a pesadelos, alergias e imunidade baixa. De fome e prazeres carnais imediatos para extravasar o que queria descansar.
Mas isso ficou para trás. Por quantas horas ele não sabia.
Afinal, ele finalmente parou.

Meu tempo tem a cada dia surtido mais significados e efeitos. Meu tempo sempre esquivo no espaço... Tenho uma relação disforme com ele. Se...

Dá um Tempo!

Meu tempo tem a cada dia surtido mais significados e efeitos.
Meu tempo sempre esquivo no espaço...
Tenho uma relação disforme com ele. Seja nas fissuras da pele, nos calos dos pés, nas juntas que estalam, no cansaço ao acordar ou na permanência em dormir- quando essa há.
Seja nos números datados em documentos e na resposta quando me perguntam quantos anos tenho.
sejam nas lembranças e memorias de toda uma vastidão de passado.
O tempo tem brincado de formas articulosas com tudo ao redor. Nos atrasos, nos em ponto. Nos vacilos e nos sem eles.
Ele tem me feito preocupar também, perder o sono ao pensar quanto me resta dele, para mim e nas pessoas que são para mim o único significado e sentido dele continuar a existir. Vejo a luz dos olhos do meu cão a mais de dez anos pregarem peças sem um pingo de graça, hoje, quase apagadas me causando medo. Vejo as rugas no rosto jovial e tão comum para mim da minha mãe, e suas falas a cada dia mais espaçadas com sua respiração cansada e sem muitos compassos lineares. Vejo o andar meio curvado nos passos de meu pai, antes de corridas em campos de futebol e noitadas boemias pela cidade que hoje me abraça e chuta- como fora com ele. Vejo o meu colo vazio, já sem o peso pequeno do meu irmão mais novo, que hoje levanta as 7 da manhã para trabalhar e volta tarde da noite com isqueiros, garrafas vazias de cerveja ou com ursinhos escrito 'eu te amo' de alguma futura cunhada sem nome - com as calças repletas de preservativos vazios.
Ha dias que acordo e ando pelas calçadas apenas escutando os sons da cidade, tentando identificar algum resquício de pausa que alguém pode ter deixado escapar por ai. Tudo sempre sem parar... acelerado...
Tomo consciência do meu corpo como poucas vezes antes e nota em pelos e funções orgânicas que já não sou mais o adolescente dono do mundo, apesar de o mundo me pertencer muito mais hoje em dia.
Sinto pesos que antes não sentia, e palavras muito mais que promessas quaisquer são capazes de me causar espinhas, dores de cabeça e gastrite nervosa, onde antes eu nem sabia que poderiam existir.
Talvez seja o óculos que o oftalmologista recomendou - apenas para leitura e descanso-  e que jamais fiz, mas meus olhos que estão mais claros em cor, tem adquirido outras formas inclusive de saturação. O 370p as vezes se converte em Full HD de forma inexplicável e aterrorizante.  Os sonhos e pensamentos deixam de ser alheios para se tornar linhas na minha própria palma da mão.
Os prazeres carnais, o sexo, e mesmo o gozo da solidão já não tem mais o mesmo efeito e importância. Talvez a mesma periodicidade em questão de relevância. Pessoas são sempre pessoas e carência sempre sera ela mesma afinal.
O tom cíclico de tudo e essa palavra estranha 'recomeço' adquirem sentidos tais que anos de leitura de dicionários inclusive os analógicos, jamais mostraram.
Perco o sono por uma nota postada, onde em dois tempos de meio segundo todo um futuro se apresenta a frente para em seguida ser queimado tal qual Alexandria. Perco a fome por horas cravadas, de afazeres atrasados, e mesmo a lucidez por descuidos meus e daqueles que são Os Meus.
Enfim, o tempo que não me dá tempo de escrever sobre ele, de forma coerente com o tempo que ele me custa a cada digito dedicado e gasto; registrado.
Há tempos, que queria me fazer flor e desabrochar, despetalar pro tempo levar embora no vento e em caule renascer para a terra, assim que chover. Há tempos que queria me ser pássaro, tornar-me Ícaro, e voar longe, rasante rumo ao infinito, cruzar em nave saturno e além plutão, residir na lua e a cada estrela cadente apenas contemplar o por da Terra la no horizonte sideral.
Ha tempos que eu queria mais tempo, e ha tempos que queria o final desses tempos.
Repousar nas costas de um grande dragão e ir. Onde fosse pra ir. Ir, ir e ir. Sempre indo...
Ha tempos vejo, conto, sinto e vivo tempos demais.
Queria dar um tempo... Só um tempo...

"Venha de tarde, pelas manhãs lhe preparo, nela lhe sirvo e de noite lhe acompanho para a eternidade já pronto. (...)"  (Pode...

Meio, fim, começo e recomeço.

"Venha de tarde, pelas manhãs lhe preparo, nela lhe sirvo e de noite lhe acompanho para a eternidade já pronto. (...)" 

(Pode parecer confuso, mas qual coração, mente, corpo e razão não o são? Minhas palavras traduzem desejos, que as sensações, e só elas fazem confundir)

Uma mesa de computador, de madeira. Fones de ouvido e caixas de som quebradas, um CD virado, refletindo a tela do computador no editor de imagens, estagnado na mesma foto.

As horas do relógio parecem soar como sinfonias sem compassos pela madrugada adentro. Faz frio no outono lá de fora. Pela janela uma brisa gelada invade a minha pele negra, enrijecendo os pelos do braço e levemente os da barba por fazer.

Eu sei que estava errado. 
Quando penso em todas as palavras que engoli, em todas as pausas que silenciei. Em todos os ‘deixa para lá’ e os ‘esquece’. Fui estúpido. Burro!

Mas era isso ou me tornar um homem que não queria ser.
Esperei todas as manhas e todas as noites o frio na barriga desaparecer para constatar que ele só aumentava em enjoo e falta de fome na tarde seguinte.

Às vezes em meus sonhos vejo uma pequena fresta na porta daquele quarto, que eu ajudei a fechar. Cabelos pretos, olhos claros, um nariz um pouco torto e inchado. Uma pinta em formato de feijão acima do lábio, do lado direito do rosto com barba e bigode. E La esta você, ou ele, sentado na cama onde pensei por dias talvez ter encontrado o porto seguro na viagem mais louca que ninguém jamais planejou. Besteira!

Foram CDs gravados, musicas baixadas, letras lidas e relidas... Foram filmes citados, personagens identificados e ate mesmo bombons comprados. Foram Pôsteres, ovos de páscoa, almofadas com braços, refrigerantes pagos... Textos dedicados, olho no olho chegados, e ombros com um ultimo olhar às costas idos.

Bocejo e minhas mãos vão ao rosto e suspiro. “A falta que a falta faz”. Disse certa vez um cantor. Bobagem!

Vinte e quatro anos ou vinte e cinco – vinte e três se crer em Rg’s e certidões de nascimento – e uma vida e meia de convivência com batidas, feridas e cócegas. E lá estão as respostas para mais perguntas, e inclusive o conforto de que data alguma importa.

A medida que passam os números no calendário, vem o medo e a vontade de se reencontrar no calor de um outro alguém.
Mas já não mais de formas de coração em maça invertida ou declarações de faixas e cartões musicais. Não mais de saia e calça jeans, de relógio, cesta de café da manhã e perfumes com nome de querubins.
Vem de maneira rasteira, de visão no metrô, entre um rebolar e outro, entre um aperto de mão e uma pausa dramática com olhar de canto de olho. Vem do evitar e repetir a mesma frase três vezes. Vem do evitar e repetir a mesma frase três vezes. Vem do evitar e repetir a mesma frase três vezes.

Vem do poder falar do passado e querer reinventar um presente sem se preocupar ou planejar futuros. Deixar acontecer. Vem do não querer e virar necessidade. Em resumo, vem do estar, esta e estou bem.
Sei que errei e deixei errar. ‘nos braços de um outro alguém, nos seios de uma mulher qualquer, no consolo de um outro amigo quem sabe quem.'

Eu sei. 
Mas o vento na janela deixa claro que ainda há calor rente a minha pele para se fazer arrepiar. E quem sabe quantos erros e acertos as estações La fora podem reservar.

Não sei se você já nasceu. 
Não sei se lhe deixei sentado esperando ou se lhe fiz correr para bem longe. 
Mas seja onde for, esteja onde estiver, vindo e indo aonde vier: 
Na madrugada de tempo, sono, musica e aconchego em seu peito: Feliz dia dos namorados!


 "..(...)Meu tempo é você."
Will Augusto. Tecnologia do Blogger.

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Aquilo Tudo que posta no Facebook e mais tantos mistérios que nem mesmo o espelho ou o mundo dos sonhos foi capaz - ainda - de descobrir.